
O governador Rafael Fonteles já soma quase duas dezenas de viagens internacionais, sempre sob a promessa de “vender as potencialidades do Piauí” e atrair investimentos. Agora, pede à Assembleia Legislativa autorização para mais uma missão oficial, dessa vez para China e Alemanha, entre os dias 5 e 14 de setembro. Enquanto isso, o vice-governador Themístocles Filho assume interinamente o comando do Estado.
Mas a pergunta que ecoa nas ruas e não cala é: onde estão os resultados práticos dessas viagens? Quantas empresas realmente desembarcaram no Piauí? Quantos parques industriais foram erguidos? Cadê o tão falado hidrogênio verde? Onde está o Porto Piauí? E, sobretudo, quantos empregos foram criados até agora? O povo quer respostas, mas só recebe discursos vagos e promessas que não se concretizam.
E o mais curioso: o Piauí mantém um escritório na China para “estreitar relações e prospectar negócios”. Então, por que motivo o governador precisa estar presente lá mês sim, mês não? Qual a função real desse escritório se, na prática, as viagens continuam sendo tratadas como indispensáveis? A sensação é que estamos financiando uma estrutura inútil, que serve mais de vitrine política do que de ponte comercial.
As justificativas para essas missões são sempre as mesmas: “prospectar investimentos”, “fortalecer relações”, “abrir mercados”. Termos bonitos, mas vazios e evasivos, que não respondem às necessidades reais do povo. Enquanto o governador gasta tempo e dinheiro com agendas internacionais, o Piauí segue mergulhado em problemas urgentes: saúde sucateada, escolas sem estrutura, violência crescente e desemprego alarmante.
Aliás, o Piauí carece hoje do básico e mais elementar para a sobrevivência do sertanejo: água. Sim, o piauiense do interior, sobretudo, da região Sul do Estado sobre com a estiagem prolongada e a falta de água - em alguns casos -, até mesmo para beber. Os animais estão morrendo e os criadores ficam no prejuízo e no abandono.
Detalhe: o governador costuma circular ao redor do mundo sempre com a primeira-dama, Isabel Fonteles, a tira-colo, embora, nem sempre se tenha conhecimento de sua agenda.
A paciência do piauiense acabou. O governo Fonteles caminha para ser lembrado como um grande “estelionato eleitoral”, em que promessas grandiosas se transformaram em ilusões caras, pagas com dinheiro público. Se não há resultados palpáveis, as viagens soam apenas como turismo oficial com a fatura enviada ao contribuinte.
O Piauí não precisa de um vendedor de ilusões. Precisa de um governador presente, que entregue obras, serviços e dignidade ao povo. Até agora, Fonteles só tem entregue discursos.
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