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Economia NA BASE DO IMPROVISO

Compras sociais: Mais um improviso de Lula diante do tarifaço dos EUA

Sem reação em quase três meses, governo anuncia compra emergencial de excedentes para merenda escolar, enquanto exportações ao segundo maior parceiro comercial despencam

11/08/2025 às 19h12
Por: Douglas Ferreira
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Ministro José Wellington Barroso de Araújo Dias - Foto: Reprodução
Ministro José Wellington Barroso de Araújo Dias - Foto: Reprodução

O aumento de 50% nas tarifas dos Estados Unidos sobre produtos brasileiros pegou o governo Lula da Silva de braços cruzados. Durante quase três meses, Brasília teve tempo para reagir. Mas não reagiu. Agora, com contêineres de frutas, pescados e outros produtos perecíveis retidos nos portos após o cancelamento de pedidos americanos, o governo anuncia uma solução emergencial: comprar o excedente para programas sociais.

Para críticos, a medida soa mais como “blefe” do que como estratégia. “Frutas, peixes, açaí… aquilo que a gente exporta, nós vamos comprar para proteger o produtor”, disse o ministro do Desenvolvimento e Assistência Social, Wellington Dias, com entusiasmo. A compra será destinada à merenda escolar e a 34 mil unidades de acolhimento mantidas pelo ministério.

Mas a iniciativa não responde à questão central: como substituir o mercado norte-americano, que, em 2024, foi destino recorde de US$ 40,3 bilhões em exportações brasileiras? A indústria foi destaque, com US$ 31,6 bilhões em vendas — crescimento de 5,8% sobre 2023.

Frutas e peixes, porém, não se guardam indefinidamente. O governo não tem estrutura para armazenar grandes volumes e nem recursos para sustentar compras prolongadas. “As abelhas não vão parar de produzir, mas o mel precisa de mercado, e mercado externo”, alertam produtores do Piauí.

O impacto é imediato: cerca de 35% dos produtos exportados aos EUA foram atingidos pelo tarifaço que entrou em vigor no dia 6. No Nordeste, pequenos e médios produtores são os mais vulneráveis.

Wellington Dias garante que o governo “vai buscar outros mercados” e cita esforços para expandir as vendas de mel do Piauí. Mas especialistas lembram que abrir novos destinos exige tempo, negociação e preços competitivos — algo distante da realidade de quem já perdeu embarques confirmados.

Enquanto isso, a balança comercial, o agro e a indústria amargam prejuízos, e o governo Lula tenta transformar uma crise anunciada em uma “oportunidade social”. Para muitos, tarde demais.

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