
O aumento de 50% nas tarifas dos Estados Unidos sobre produtos brasileiros pegou o governo Lula da Silva de braços cruzados. Durante quase três meses, Brasília teve tempo para reagir. Mas não reagiu. Agora, com contêineres de frutas, pescados e outros produtos perecíveis retidos nos portos após o cancelamento de pedidos americanos, o governo anuncia uma solução emergencial: comprar o excedente para programas sociais.
Para críticos, a medida soa mais como “blefe” do que como estratégia. “Frutas, peixes, açaí… aquilo que a gente exporta, nós vamos comprar para proteger o produtor”, disse o ministro do Desenvolvimento e Assistência Social, Wellington Dias, com entusiasmo. A compra será destinada à merenda escolar e a 34 mil unidades de acolhimento mantidas pelo ministério.
Mas a iniciativa não responde à questão central: como substituir o mercado norte-americano, que, em 2024, foi destino recorde de US$ 40,3 bilhões em exportações brasileiras? A indústria foi destaque, com US$ 31,6 bilhões em vendas — crescimento de 5,8% sobre 2023.
Frutas e peixes, porém, não se guardam indefinidamente. O governo não tem estrutura para armazenar grandes volumes e nem recursos para sustentar compras prolongadas. “As abelhas não vão parar de produzir, mas o mel precisa de mercado, e mercado externo”, alertam produtores do Piauí.
O impacto é imediato: cerca de 35% dos produtos exportados aos EUA foram atingidos pelo tarifaço que entrou em vigor no dia 6. No Nordeste, pequenos e médios produtores são os mais vulneráveis.
Wellington Dias garante que o governo “vai buscar outros mercados” e cita esforços para expandir as vendas de mel do Piauí. Mas especialistas lembram que abrir novos destinos exige tempo, negociação e preços competitivos — algo distante da realidade de quem já perdeu embarques confirmados.
Enquanto isso, a balança comercial, o agro e a indústria amargam prejuízos, e o governo Lula tenta transformar uma crise anunciada em uma “oportunidade social”. Para muitos, tarde demais.
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