
Um vídeo do governador de Goiás, Ronaldo Caiado (União Brasil), viralizou nas redes sociais após críticas contundentes ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva por evitar contato direto com o governo dos Estados Unidos. Na visão de Caiado, a postura do chefe do Executivo é “incompreensível e inaceitável” e ameaça setores vitais da economia brasileira.
“Se o presidente Lula não quer conversar e a ele interessa a crise, nós governadores não. Pelo contrário, queremos ampliar o mercado. Não queremos conviver com alguém que se acha no direito de fechar o Brasil e penalizar o setor produtivo nacional”, disparou Caiado.
A fala ecoa entre outros líderes estaduais como Ratinho Júnior (Paraná) e Tarcísio de Freitas (São Paulo), que defendem a abertura de canais diretos de negociação com o governo de Donald Trump, visto como estratégico para exportações brasileiras. Outro que também segue na mesma direção é o governador de Minas Gerais, Romeu Zema.
O atrito ganhou força com a aplicação de uma tarifa de 50% sobre importações de aço e alumínio brasileiros, medida que atinge em cheio setores como agronegócio, indústria de transformação, fruticultura, pescado e mineração. Para governadores de Estados exportadores, manter distância de Washington significa fechar portas para um dos maiores mercados do planeta — e justamente o segundo maior parceiro comercial do Brasil.
Especialistas alertam que, sem diálogo, os prejuízos podem se multiplicar: redução de competitividade, perda de contratos e retração na balança comercial.
A resistência de Lula em dialogar com Trump levanta hipóteses: orgulho ideológico, divergências políticas ou um projeto deliberado do PT de aproximar o Brasil de um bloco alternativo ao Ocidente — o Brics, formado por 11 países: África do Sul, Arábia Saudita, Brasil, China, Egito, Emirados Árabes Unidos, Etiópia, Índia, Indonésia, Irã e Rússia. Além desses, o bloco conta com 10 países parceiros: Belarus, Bolívia, Cazaquistão, Cuba, Malásia, Nigéria, Tailândia, Uganda, Uzbequistão e Vietnã.
A maioria desses países pouco ou nada tem a oferecer ao mercado brasileiro. São republiquetas autocratas com o pires na mão buscando sombra no Brics.
A aposta em novos parceiros pode abrir mercados emergentes, mas também implica risco de isolamento dos fluxos comerciais tradicionais, nos quais os EUA ainda exercem influência decisiva. E ao contrário do que imagina Lula, a tensão com os EUA caminham para algum tipo de bloqueio comercial, o que agravaria ainda mais a situação do mercado brasileiro.
Para Caiado e outros governadores, a conta dessa escolha recairá sobre quem produz e exporta. “Não podemos conviver com um presidente que fecha o país por capricho político e deixa o setor produtivo sem alternativas”, reforçou o governador goiano.
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