
O dia 5 de agosto amanheceu como qualquer outro na casa da fotógrafa Dayana Brasil e do militar do Exército Claudio Souza. O cheiro de café, a pressa para vestir os gêmeos, Alice e Artur, o cuidado nos pequenos detalhes — o laço no cabelo, o tênis alinhado, o beijo na testa antes de sair. Naquele dia, a escola seria cenário de festa. Alice acordou com o sorriso pronto, como quem carrega nos olhos a alegria de quem ainda acredita que o mundo é um lugar seguro.
Mas o que era para ser um dia de balões e bolo virou um dia de sirenes. E, desde então, o tempo não passou mais para os pais.
Na tarde de quinta-feira (7), eles se sentaram diante das câmeras para contar o que ninguém deveria ter que contar. A voz de Dayana tremia, mas as palavras cortavam o ar como vidro partido:
"Eu entreguei uma criança viva, saudável, feliz… e me devolveram um cadáver".
O silêncio depois da frase foi quase palpável. Ao lado, Claudio tentava conter o choro. A dor tinha dobrado para ele: o dia em que enterrou a filha foi também o dia do seu aniversário.
"No dia 6 de agosto, era para eu comemorar mais um ano. Enterrei minha filha de quatro anos", declarou com a voz embargada.
Dayana lembra de cada detalhe daquela manhã. Vestiu os gêmeos com cuidado, prometeu buscá-los mais cedo. Mas a promessa ficou suspensa no ar. No lugar do reencontro, vieram telefonemas apressados, versões diferentes, mensagens sem resposta.
"Disseram que ela estava sendo levada para a UPA. Depois, que estava em uma ambulância presa no trânsito. Quando cheguei, só me diziam para esperar o médico. Então vi minha filha… coberta de sangue, sem vida", relatou.
A polícia investiga. A primeira versão é de que uma penteadeira caiu sobre Alice na sala de brinquedos. As imagens, os laudos, as perícias ainda estão por vir. O delegado Hugo Alcântara, da DPCA, fala em “fatalidade”, mas a palavra não consola.
O Colégio CEV divulgou nota afirmando colaborar com as investigações e manter “compromisso com a verdade, transparência e cuidado com as pessoas”.
Para Dayana e Claudio, o que ficou foi um vazio que invade cada canto da casa:
"Agora vou ter que tirar uma cama do quarto, uma cadeirinha do carro. Meu filho vai ter que aprender a viver sem a irmã. Ele vai ter que entender o que nem eu entendo".
E assim, 48 horas depois, o que resta é o eco da ausência. Um quarto com brinquedos que perderam a função. Um vestido que nunca mais será usado. E um amor que, arrancado do corpo pequeno de uma criança, ficou preso no peito dos pais, transformado em tristeza e revolta.
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