Domingo, 28 de Junho de 2026
29°

Tempo nublado

Teresina, PI

Especiais DESABAFO

“Entreguei uma criança viva e me devolveram um cadáver”

Pais da pequena Alice Paz rompem o silêncio e transformam luto em grito por justiça

07/08/2025 às 21h24 Atualizada em 07/08/2025 às 21h45
Por: Douglas Ferreira
Compartilhe:
Dayana e Cláudio não contiveram a emoção a falar da tragédia que vitimou a filha Alice - Foto: reprodução
Dayana e Cláudio não contiveram a emoção a falar da tragédia que vitimou a filha Alice - Foto: reprodução

O dia 5 de agosto amanheceu como qualquer outro na casa da fotógrafa Dayana Brasil e do militar do Exército Claudio Souza. O cheiro de café, a pressa para vestir os gêmeos, Alice e Artur, o cuidado nos pequenos detalhes — o laço no cabelo, o tênis alinhado, o beijo na testa antes de sair. Naquele dia, a escola seria cenário de festa. Alice acordou com o sorriso pronto, como quem carrega nos olhos a alegria de quem ainda acredita que o mundo é um lugar seguro.

Mas o que era para ser um dia de balões e bolo virou um dia de sirenes. E, desde então, o tempo não passou mais para os pais.

Na tarde de quinta-feira (7), eles se sentaram diante das câmeras para contar o que ninguém deveria ter que contar. A voz de Dayana tremia, mas as palavras cortavam o ar como vidro partido:

"Eu entreguei uma criança viva, saudável, feliz… e me devolveram um cadáver".

O silêncio depois da frase foi quase palpável. Ao lado, Claudio tentava conter o choro. A dor tinha dobrado para ele: o dia em que enterrou a filha foi também o dia do seu aniversário.

"No dia 6 de agosto, era para eu comemorar mais um ano. Enterrei minha filha de quatro anos", declarou com a voz embargada.

Cláudio Souza falou da dor, da angústria e da tristeza de ter que sepultar a filha no dia do próprio aniversário - Foto: Reprodução

Dayana lembra de cada detalhe daquela manhã. Vestiu os gêmeos com cuidado, prometeu buscá-los mais cedo. Mas a promessa ficou suspensa no ar. No lugar do reencontro, vieram telefonemas apressados, versões diferentes, mensagens sem resposta.

"Disseram que ela estava sendo levada para a UPA. Depois, que estava em uma ambulância presa no trânsito. Quando cheguei, só me diziam para esperar o médico. Então vi minha filha… coberta de sangue, sem vida", relatou.

A polícia investiga. A primeira versão é de que uma penteadeira caiu sobre Alice na sala de brinquedos. As imagens, os laudos, as perícias ainda estão por vir. O delegado Hugo Alcântara, da DPCA, fala em “fatalidade”, mas a palavra não consola.

O Colégio CEV divulgou nota afirmando colaborar com as investigações e manter “compromisso com a verdade, transparência e cuidado com as pessoas”.

Para Dayana e Claudio, o que ficou foi um vazio que invade cada canto da casa:

"Agora vou ter que tirar uma cama do quarto, uma cadeirinha do carro. Meu filho vai ter que aprender a viver sem a irmã. Ele vai ter que entender o que nem eu entendo".

E assim, 48 horas depois, o que resta é o eco da ausência. Um quarto com brinquedos que perderam a função. Um vestido que nunca mais será usado. E um amor que, arrancado do corpo pequeno de uma criança, ficou preso no peito dos pais, transformado em tristeza e revolta.

* O conteúdo de cada comentário é de responsabilidade de quem realizá-lo. Nos reservamos ao direito de reprovar ou eliminar comentários em desacordo com o propósito do site ou que contenham palavras ofensivas.
500 caracteres restantes.
Comentar
DILSON MARQUES FERNANDES Há 11 meses Teresina Uma dor insuportável pelo qual essa criança (Arthur) e seus estão sofrendo. É lamentável!
Mostrar mais comentários