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Economia TRÁFICO DE OURO

'Ouro de Sangue': O Brasil rico que sangra em silêncio

Enquanto milhões passam fome e o país afunda em impostos, R$ 61 milhões em ouro ilegal atravessam o Brasil sem fiscalização. Por que o Estado fecha os olhos?

07/08/2025 às 09h02
Por: Douglas Ferreira
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O “ouro de sangue” do Brasil esvai-se pelas veias abertas pelo Brasil - Foto: Reprodução
O “ouro de sangue” do Brasil esvai-se pelas veias abertas pelo Brasil - Foto: Reprodução

Não é fantasia dizer que o Brasil é a terra do ouro. Sempre foi, desde o Império, desde sempre. Um país abençoado por recursos naturais, com riquezas enterradas sob seus pés e escondidas em suas florestas. Mas essa dádiva da natureza há muito tempo se transformou em maldição silenciosa.

Sim, o ouro ainda move o mundo — mas, por aqui, enriquece poucos e mata muitos. Movimenta cifras bilionárias em um mercado paralelo criminoso, sem que o governo, as autoridades ou os defensores da Amazônia façam muito a respeito.

O que se viu recentemente foi a prova clara e gritante disso: 103 quilos de ouro escondidos dentro de uma caminhonete, avaliados em mais de R$ 61 milhões, apreendidos quase por acaso na BR-401, em Roraima. Um crime que viajava disfarçado de família: o motorista, a esposa e um bebê de nove meses no banco de trás.

E se havia 103 quilos escondidos num único carro, quantos outros passam todos os dias?

Esse não foi um caso isolado. Foi só o que conseguimos ver. O que não se vê — e não se investiga — é um esquema criminoso que atravessa hidrovias, ferrovias e rodovias com a conivência silenciosa do Estado.

A pergunta que não quer calar: onde está a fiscalização?

Enquanto pequenos empreendedores são perseguidos por impostos, microempresas sufocadas por regulações, trabalhadores multados por vender doce na calçada — o ouro, que não nasce em árvore nem brota da terra sem grandes escavações, consegue cruzar o país com facilidade assustadora.

Por quê?

O governo parece mais empenhado em sufocar quem tenta sobreviver legalmente do que em enfrentar o crime organizado que drena nossas riquezas.

E quando se fala em crime organizado, é preciso falar das ONGs. Isso mesmo. Organizações que se dizem defensoras da floresta, dos povos originários e da natureza, mas que muitas vezes escondem interesses escusos.

No Brasil, há mais de 815 mil Organizações da Sociedade Civil, de acordo com o IPEA. Só na Amazônia, os números são incertos: variam de 15 mil a mais de 100 mil. O que elas fazem de fato? Qual a real atuação de parte dessas entidades? Quantas estão comprometidas com a legalidade? Quantas estão envolvidas com o garimpo ou o escoamento ilícito de riquezas?

Um crime com cara de facção

A verdade é que o contrabando de ouro no Brasil já não é mais um crime isolado. Tem estrutura, logística, proteção. Tem rota, tem destino: Venezuela, Guiana, Suriname. Tem dinheiro. Tem silêncio.

E tem sangue.

Esse é o ouro de sangue brasileiro, que sai da floresta, passa por dentro das cidades, dos postos fiscais e das instituições — e escorre por entre os dedos de um país adormecido.

A apreensão em Roraima foi um acaso. O motorista foi preso, sim. Mas o sistema que o sustenta segue impune. Intocável. Invisível.

E, enquanto isso, o Brasil — tão rico — continua pobre.

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Luís Carlos Saraiva Há 11 meses São Luís Uma vergonha! Importante saber quem é o verdadeiro dono. O Brasil, virou um país de bandidos. Fazer mesmo o que? Um brasil onde temos um ex presidiário como atual presidente da república, não se pode ter respeito . Viva o bandidismo.
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