
Não é fantasia dizer que o Brasil é a terra do ouro. Sempre foi, desde o Império, desde sempre. Um país abençoado por recursos naturais, com riquezas enterradas sob seus pés e escondidas em suas florestas. Mas essa dádiva da natureza há muito tempo se transformou em maldição silenciosa.
Sim, o ouro ainda move o mundo — mas, por aqui, enriquece poucos e mata muitos. Movimenta cifras bilionárias em um mercado paralelo criminoso, sem que o governo, as autoridades ou os defensores da Amazônia façam muito a respeito.
O que se viu recentemente foi a prova clara e gritante disso: 103 quilos de ouro escondidos dentro de uma caminhonete, avaliados em mais de R$ 61 milhões, apreendidos quase por acaso na BR-401, em Roraima. Um crime que viajava disfarçado de família: o motorista, a esposa e um bebê de nove meses no banco de trás.
E se havia 103 quilos escondidos num único carro, quantos outros passam todos os dias?
Esse não foi um caso isolado. Foi só o que conseguimos ver. O que não se vê — e não se investiga — é um esquema criminoso que atravessa hidrovias, ferrovias e rodovias com a conivência silenciosa do Estado.
Enquanto pequenos empreendedores são perseguidos por impostos, microempresas sufocadas por regulações, trabalhadores multados por vender doce na calçada — o ouro, que não nasce em árvore nem brota da terra sem grandes escavações, consegue cruzar o país com facilidade assustadora.
Por quê?
O governo parece mais empenhado em sufocar quem tenta sobreviver legalmente do que em enfrentar o crime organizado que drena nossas riquezas.
E quando se fala em crime organizado, é preciso falar das ONGs. Isso mesmo. Organizações que se dizem defensoras da floresta, dos povos originários e da natureza, mas que muitas vezes escondem interesses escusos.
No Brasil, há mais de 815 mil Organizações da Sociedade Civil, de acordo com o IPEA. Só na Amazônia, os números são incertos: variam de 15 mil a mais de 100 mil. O que elas fazem de fato? Qual a real atuação de parte dessas entidades? Quantas estão comprometidas com a legalidade? Quantas estão envolvidas com o garimpo ou o escoamento ilícito de riquezas?
A verdade é que o contrabando de ouro no Brasil já não é mais um crime isolado. Tem estrutura, logística, proteção. Tem rota, tem destino: Venezuela, Guiana, Suriname. Tem dinheiro. Tem silêncio.
E tem sangue.
Esse é o ouro de sangue brasileiro, que sai da floresta, passa por dentro das cidades, dos postos fiscais e das instituições — e escorre por entre os dedos de um país adormecido.
A apreensão em Roraima foi um acaso. O motorista foi preso, sim. Mas o sistema que o sustenta segue impune. Intocável. Invisível.
E, enquanto isso, o Brasil — tão rico — continua pobre.
ESCALA 6X1 Presidente da CNI defende que Senado discuta modernização trabalhista à exaustão
AUMENTANDO DÍVIDAS? Dia após o jogo?
OPERAÇÃO MIRAGEM Digimais: os CDBs cresceram 1.130%. Mas de onde veio tanto dinheiro?
POLÍCIA FEDERAL Digimais e Master: bancos diferentes, roteiro parecido?
INDÚSTRIA AUTOMOTIVA Adeus aos ingleses: Jaguar Land Rover fecha fábrica e muda mapa da indústria automotiva
RESTITUIÇÃO Receita libera consulta ao IR e paga 2º lote no fim de junho
INDUSTRIA FIEPI e sindicatos da indústria piauiense participam de encontro com pré-candidatos à Presidência
COMÉRCIO EXTERIOR Tarifas dos EUA: governo Lula admite dificuldade para evitar novas sobretaxas
RANKING MUNDIAL Brasil cai no ranking de competitividade: desemprego baixo não esconde problemas estruturais Mín. 23° Máx. 32°