Domingo, 28 de Junho de 2026
32°

Tempo nublado

Teresina, PI

Economia ESTRATÉGIA ERRADA

Lula evita diálogo com Trump e aposta no Brics: estratégia ou orgulho?

Enquanto tarifas americanas de 50% asfixiam exportações brasileiras, governo prefere apostar em parceiros do Brics e recorre à OMC, deixando o telefone para Washington fora de alcance

07/08/2025 às 06h10
Por: Douglas Ferreira
Compartilhe:
Lula da Silva e o orgulho que enterra a economia brasileira - Foto: Reprodução
Lula da Silva e o orgulho que enterra a economia brasileira - Foto: Reprodução

O tempo passa, o tempo voa, mas a diplomacia lulista parece andar em círculos. Desde que Donald Trump anunciou o aumento brutal das tarifas sobre produtos brasileiros — de 10% para 50% —, o governo brasileiro oscila entre a indignação e a paralisia.

O presidente norte-americano, mesmo após ser criticado por Lula em mais de uma ocasião, manteve a porta do diálogo aberta. Estipulou prazos, ampliou prazos, sinalizou disposição. Lula, por sua vez, insiste em não ligar. Disse que só o fará quando “a intuição” lhe disser que Trump está disposto a conversar. E completou: “Não vou me humilhar.”

Mas qual é a humilhação maior? Ligar para Trump e tentar salvar setores inteiros da economia brasileira — petróleo, veículos, fertilizantes, café, carne — ou permanecer de braços cruzados, enquanto os prejuízos se multiplicam e 35% das exportações nacionais para os EUA sangram sob a tarifa?

O dilema lulista

A retórica soberanista de Lula é sedutora: “O Brasil é um país soberano, não vou aceitar imposições.” Mas a soberania real se mede em poder econômico. E, neste ponto, a balança pesa a favor de Washington. Um eventual bloqueio americano, somado às relações arriscadas do Brasil com Rússia e China, poderia empurrar o país para um cenário de isolamento — e até para uma “venezuelização” econômica, como já alertam analistas.

O recurso ao Brics soa mais como fuga do que como solução. Sentar-se à mesa com parceiros que também enfrentam sanções — Rússia, China, Índia — pode ser útil como gesto político, mas dificilmente resolve um impasse comercial com os EUA, potência que continua ditando as regras do jogo global.

Orgulho ou pragmatismo?

Lula enxerga no telefonema a sombra da submissão. Prefere formalizar queixas na OMC, um organismo cada vez mais esvaziado, enquanto Trump atua de forma direta, prática e unilateral. O contraste expõe a fragilidade da diplomacia brasileira: orgulhosa no discurso, mas impotente nos resultados.

A pergunta que fica é: até quando o Planalto poderá adiar o inevitável? O Brasil corre o risco de pagar caro por um orgulho que beira a intransigência.

* O conteúdo de cada comentário é de responsabilidade de quem realizá-lo. Nos reservamos ao direito de reprovar ou eliminar comentários em desacordo com o propósito do site ou que contenham palavras ofensivas.
500 caracteres restantes.
Comentar
Mostrar mais comentários