
O tempo passa, o tempo voa, mas a diplomacia lulista parece andar em círculos. Desde que Donald Trump anunciou o aumento brutal das tarifas sobre produtos brasileiros — de 10% para 50% —, o governo brasileiro oscila entre a indignação e a paralisia.
O presidente norte-americano, mesmo após ser criticado por Lula em mais de uma ocasião, manteve a porta do diálogo aberta. Estipulou prazos, ampliou prazos, sinalizou disposição. Lula, por sua vez, insiste em não ligar. Disse que só o fará quando “a intuição” lhe disser que Trump está disposto a conversar. E completou: “Não vou me humilhar.”
Mas qual é a humilhação maior? Ligar para Trump e tentar salvar setores inteiros da economia brasileira — petróleo, veículos, fertilizantes, café, carne — ou permanecer de braços cruzados, enquanto os prejuízos se multiplicam e 35% das exportações nacionais para os EUA sangram sob a tarifa?
A retórica soberanista de Lula é sedutora: “O Brasil é um país soberano, não vou aceitar imposições.” Mas a soberania real se mede em poder econômico. E, neste ponto, a balança pesa a favor de Washington. Um eventual bloqueio americano, somado às relações arriscadas do Brasil com Rússia e China, poderia empurrar o país para um cenário de isolamento — e até para uma “venezuelização” econômica, como já alertam analistas.
O recurso ao Brics soa mais como fuga do que como solução. Sentar-se à mesa com parceiros que também enfrentam sanções — Rússia, China, Índia — pode ser útil como gesto político, mas dificilmente resolve um impasse comercial com os EUA, potência que continua ditando as regras do jogo global.
Lula enxerga no telefonema a sombra da submissão. Prefere formalizar queixas na OMC, um organismo cada vez mais esvaziado, enquanto Trump atua de forma direta, prática e unilateral. O contraste expõe a fragilidade da diplomacia brasileira: orgulhosa no discurso, mas impotente nos resultados.
A pergunta que fica é: até quando o Planalto poderá adiar o inevitável? O Brasil corre o risco de pagar caro por um orgulho que beira a intransigência.
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