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Tarifaço de 50% começa a valer sem plano de socorro: governo dormiu no ponto

Setores produtivos acusam paralisia e improviso do governo Lula diante das tarifas de 50% impostas pelos EUA. Haddad promete plano, mas empresários falam em frustração

06/08/2025 às 11h08
Por: Douglas Ferreira
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Nova tarifa de 50% de Trump já está em vigor no Brasil - Foto: Reprodução
Nova tarifa de 50% de Trump já está em vigor no Brasil - Foto: Reprodução

A tarifa de 50% imposta pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, contra produtos brasileiros começou a valer nesta quarta-feira (6) sem que o governo federal apresentasse um plano de contingência para proteger empresas exportadoras. O atraso gerou indignação entre empresários que, após reunião com ministros no início da semana, disseram ter saído “frustrados” com a falta de medidas imediatas.

Hoje, 35,9% das exportações brasileiras já estão sob impacto direto do tarifaço, inviabilizando operações em setores estratégicos como pesca, fruticultura e metalmecânico.

Governo lento, empresários impacientes

Eduardo Lobo, presidente da Abipesca (Associação Brasileira das Indústrias de Pescados), afirmou à CNN que o governo não deu sequer um prazo para a adoção de medidas emergenciais. “O que se ventilou atende apenas no médio e longo prazo, mas as empresas precisam de fôlego agora”, criticou.

Indústrias, por meio da CNI (Confederação Nacional da Indústria), pressionam o Planalto e apresentaram uma lista de oito medidas urgentes, entre elas:

  • Adiar por 120 dias o pagamento de tributos federais, incluindo previdenciários;

  • Criar linha especial de crédito do BNDES, com juros entre 1% e 4% ao ano, para capital de giro;

  • Ajustar prazos de ACCs (adiantamentos de contratos de câmbio), essenciais às exportações;

  • Ampliar o Reintegra, que devolve parte da carga tributária, a todas as empresas atingidas.

Haddad promete, mas não entrega

Na manhã desta quarta, na portaria do Ministério da Fazenda, Fernando Haddad afirmou que o plano já está pronto e será encaminhado ao Palácio do Planalto para validação de Lula, que decidirá o que sairá do papel. As medidas devem ser apresentadas por meio de uma Medida Provisória (MP).

O ministro confirmou que o pacote incluirá linhas de crédito emergenciais e o aumento das compras governamentais. Mas, até lá, o setor produtivo segue sem respostas práticas.

Orgulho ideológico ou improviso?

O atraso do governo levanta questões:

  • O Planalto subestimou o tarifaço?

  • Houve orgulho ideológico em não agir preventivamente?

  • Ou essa paralisia é parte de um método político que prioriza discurso em detrimento de ação?

Enquanto o governo se movimenta lentamente, quem paga a conta são as empresas exportadoras e, em última instância, o povo brasileiro, com risco de desemprego, aumento de preços e perda de competitividade internacional.

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