
A tarifa de 50% imposta pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, contra produtos brasileiros começou a valer nesta quarta-feira (6) sem que o governo federal apresentasse um plano de contingência para proteger empresas exportadoras. O atraso gerou indignação entre empresários que, após reunião com ministros no início da semana, disseram ter saído “frustrados” com a falta de medidas imediatas.
Hoje, 35,9% das exportações brasileiras já estão sob impacto direto do tarifaço, inviabilizando operações em setores estratégicos como pesca, fruticultura e metalmecânico.
Eduardo Lobo, presidente da Abipesca (Associação Brasileira das Indústrias de Pescados), afirmou à CNN que o governo não deu sequer um prazo para a adoção de medidas emergenciais. “O que se ventilou atende apenas no médio e longo prazo, mas as empresas precisam de fôlego agora”, criticou.
Indústrias, por meio da CNI (Confederação Nacional da Indústria), pressionam o Planalto e apresentaram uma lista de oito medidas urgentes, entre elas:
Adiar por 120 dias o pagamento de tributos federais, incluindo previdenciários;
Criar linha especial de crédito do BNDES, com juros entre 1% e 4% ao ano, para capital de giro;
Ajustar prazos de ACCs (adiantamentos de contratos de câmbio), essenciais às exportações;
Ampliar o Reintegra, que devolve parte da carga tributária, a todas as empresas atingidas.
Na manhã desta quarta, na portaria do Ministério da Fazenda, Fernando Haddad afirmou que o plano já está pronto e será encaminhado ao Palácio do Planalto para validação de Lula, que decidirá o que sairá do papel. As medidas devem ser apresentadas por meio de uma Medida Provisória (MP).
O ministro confirmou que o pacote incluirá linhas de crédito emergenciais e o aumento das compras governamentais. Mas, até lá, o setor produtivo segue sem respostas práticas.
O atraso do governo levanta questões:
O Planalto subestimou o tarifaço?
Houve orgulho ideológico em não agir preventivamente?
Ou essa paralisia é parte de um método político que prioriza discurso em detrimento de ação?
Enquanto o governo se movimenta lentamente, quem paga a conta são as empresas exportadoras e, em última instância, o povo brasileiro, com risco de desemprego, aumento de preços e perda de competitividade internacional.
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