
O corpo de Joana D’arc dos Reis de Sousa, 27 anos, foi encontrado nesta segunda-feira (28) encostado nas pedras do lado bravo da Praia da Pedra do Sal, no litoral de Parnaíba (PI). A jovem havia desaparecido horas antes, ainda na madrugada de domingo, quando entrou no mar e não voltou mais. A morte — muito provavelmente por afogamento — não é um acidente isolado. É mais uma página de dor em um histórico conhecido, ignorado e negligenciado pelas autoridades.
A Praia da Pedra do Sal é dividida em dois lados: o lado manso, procurado por banhistas e famílias, e o lado bravo, de mar traiçoeiro, forte correnteza e pedras afiadas. Um local onde o mar não perdoa. Um local onde não há vigilância, nem placas de alerta suficientes, tampouco estrutura emergencial adequada. A tragédia de Joana D’arc não foi imprevisível — foi evitável.
Joana D’arc não foi a primeira. E, infelizmente, não será a última. Quantos mais terão que morrer para que a Prefeitura de Parnaíba, o Governo do Estado do Piauí e demais autoridades responsáveis tratem o turismo com responsabilidade e a segurança com prioridade?
Não estamos falando de um acidente natural qualquer. Estamos falando de repetição de mortes em uma zona sabidamente perigosa, marcada por descaso crônico. A praia atrai visitantes, estimula o comércio local, impulsiona o turismo regional — mas não oferece o mínimo de proteção a quem lá pisa.
Onde estão as placas de advertência bem visíveis? Os salva-vidas em plantão permanente nos horários de pico? As campanhas educativas em hotéis, pousadas e redes sociais alertando para os riscos? Onde estão os investimentos em infraestrutura costeira, em segurança de banhistas, em preservação de vidas?
No lugar disso, temos estatísticas. Corpos. Lutos silenciosos que vão se empilhando como se fossem consequência de "azar" ou "imprudência", quando na verdade são frutos diretos da omissão do poder público.
A Praia da Pedra do Sal é símbolo do que o Brasil tem de mais revoltante: a falta de planejamento, a desvalorização da vida comum e o abandono de políticas públicas eficazes. Joana D’arc virou estatística, mas ela tinha nome, história, família, sonhos. Ela morreu onde o mar mata mais que encanta — e o Estado nada faz.
A pergunta que fica: quem responde por isso?
Enquanto as autoridades seguem lavando as mãos como se não tivessem responsabilidade sobre o território turístico que promovem, o mar segue tragando vidas. E o lado bravo da Pedra do Sal continua sendo palco de tragédias, luto e desespero.
É hora de reagir. Não basta lamentar. É preciso agir. E rápido. Antes que o próximo nome vire apenas mais um número nas estatísticas do abandono.
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