Domingo, 28 de Junho de 2026
32°

Tempo nublado

Teresina, PI

Piauí MORTE NA RODOVIA

Tragédia na BR-343: colisão frontal entre carro e ônibus mata dois homens e expõe epidemia de acidentes nas rodovias

Mortes de jovens piauienses na volta de uma vaquejada reacendem debate sobre as causas de acidentes fatais no trecho Campo Maior-Nossa Senhora de Nazaré

27/07/2025 às 11h54 Atualizada em 27/07/2025 às 12h43
Por: Douglas Ferreira
Compartilhe:
Mais um acidente fatal no trecho da BR 343 na “Terra dos Carnaubais” - Foto: Reprodução
Mais um acidente fatal no trecho da BR 343 na “Terra dos Carnaubais” - Foto: Reprodução

O relógio marcava 4h30 da madrugada deste domingo (27) quando mais uma tragédia escreveu seu nome em sangue nas estatísticas da BR-343, uma das rodovias federais mais perigosas do Piauí. Dois jovens - Fernando José dos Reis Cardoso, de 24 anos, e Célio Anderson Abreu, de 34 - morreram após uma colisão frontal entre o carro em que estavam e um ônibus interestadual da empresa Satélite.

Ambos voltavam de uma vaquejada em Campo Maior com destino a Nossa Senhora de Nazaré, onde residiam. Eles não chegaram em casa. A morte os alcançou na pista. Segundo a Polícia Rodoviária Federal (PRF), o HB20 onde viajavam teria invadido a faixa contrária, colidindo de frente com o ônibus que saiu de Fortaleza e seguia para Teresina.

Fernando, o motorista, foi arremessado parcialmente para fora do carro; Anderson ficou preso às ferragens. Os dois morreram ainda no local, antes mesmo da chegada do resgate. O motorista do ônibus sofreu fraturas nas pernas e foi socorrido. Nenhum passageiro do coletivo ficou ferido.

A cena que se repetiu no km 252 da BR-343 não é nova. É apenas mais um episódio de uma rotina macabra que se repete com frequência alarmante em trechos específicos do interior do Piauí. Nesse ponto da rodovia, em especial, colisões frontais têm se tornado recorrentes. Por quê?

Epidemia nas estradas piauienses

As causas se entrelaçam em uma teia de omissões e imprudências: excesso de velocidade, ingestão de álcool, fadiga, pistas estreitas, falta de sinalização, ausência de radares, veículos mal conservados, iluminação precária e fiscalização insuficiente. Em comum, quase todos esses fatores estão presentes nos acidentes mais fatais que têm ocorrido no Estado.

Fernando José dos Reis, de 24 anos, e Célio Anderson, de 34 - mortos na colisão frontal com o ônibus - Foto: Reprodução/Campo Maior em Foco

Fernando e Anderson retornavam de uma vaquejada - evento noturno, com música, bebida e euforia. É cedo para afirmar se havia ingestão alcoólica ou sono ao volante, mas o histórico das rodovias aponta para um padrão: jovens, em carros de passeio, voltando de festas na madrugada e se envolvendo em colisões frontais com caminhões ou ônibus.

A própria PRF já declarou, em outras ocasiões, que a maior parte dos acidentes fatais no interior do Piauí ocorre fora das áreas urbanas, nas primeiras horas do dia, e com vítimas de 18 a 35 anos - exatamente o perfil das vítimas desta tragédia.

Luto e silêncio oficial

A Prefeitura de Nossa Senhora de Nazaré decretou três dias de luto oficial, mas o decreto não basta para impedir que o próximo acidente aconteça no mesmo local. Faltam políticas públicas efetivas de prevenção. Falta engenharia de tráfego, planejamento rodoviário e uma estratégia mais firme de combate ao caos nas 10 estradas federais que cortam o Estado.

No caso do acidente deste domingo, a dinâmica ainda será investigada, mas a narrativa é dolorosamente conhecida. E fica a pergunta como alerta: quantos mais precisarão morrer para que se trate a crise nas rodovias do Piauí como prioridade?

O acidente chamou a atenção de pessoas que passavam pelo local - Foto: Reprodução/Campo Maior em Foco/Campo Maior em Foco
* O conteúdo de cada comentário é de responsabilidade de quem realizá-lo. Nos reservamos ao direito de reprovar ou eliminar comentários em desacordo com o propósito do site ou que contenham palavras ofensivas.
500 caracteres restantes.
Comentar
Mostrar mais comentários