
Mais uma vez, o asfalto quente de Teresina foi palco de cenas que mais pareciam tiradas de um filme de ação, mas com roteiro digno do descaso cotidiano. Na noite desta sexta-feira, 25 de julho, um Fiat Uno pegou fogo no meio da Avenida Dom Severino, próximo à Ponte Estaiada, zona Leste da capital, em mais um episódio que coloca em xeque a segurança veicular e o preparo para emergências urbanas.
Segundo o motorista - que preferiu não se identificar -, o carro apresentou uma falha súbita na parte elétrica logo após atravessar a ponte no sentido Leste.
“Ele cortou a corrente, liguei pro mecânico e, quando tentei ligar de novo, ouvi um estalo. Foi coisa de segundos. O fogo começou”, relatou.
Apesar do susto, o condutor ainda teve sangue frio para tentar conter as chamas com o extintor. Sem sucesso na abertura do capô, conseguiu apenas retirar alguns pertences antes que o fogo dominasse toda a dianteira do veículo. Sem seguro e pertencente a uma empresa, o carro virou uma bola de fogo em plena via pública.
O Corpo de Bombeiros foi acionado e chegou ao local em menos de 20 minutos. Em dois, o fogo já estava controlado, segundo o tenente Carlos Alberto Soares da Costa, responsável pela equipe.
“Fomos acionados e viemos o mais rápido possível. O fogo foi apagado e a situação está sob controle”, disse ele à equipe do Gazeta Hora1, único veículo a cobrir o evento.
A cena chamou a atenção de pedestres e motoristas, enquanto uma equipe da Strans rapidamente desviava o tráfego para uma rua paralela, garantindo o mínimo de segurança viária.
O mais alarmante nesse tipo de caso é que não se trata de um evento isolado. Pelo contrário: incêndios em veículos vêm se tornando frequentes nas ruas e avenidas de Teresina. Isso não se deve apenas ao calor absurdo da capital, que transforma qualquer motor em caldeirão, mas também à cultura da negligência com a manutenção veicular.
Fios mal isolados, velhos chicotes elétricos, falta de revisão no sistema de ignição e sobrecarga no alternador - tudo isso, junto e misturado com o calor escaldante, forma um coquetel explosivo. Quando não explode literalmente, gera cenas como a desta noite.
Ainda que não haja estatísticas oficiais atualizadas publicamente sobre o número de incêndios veiculares em Teresina, basta um giro rápido por grupos de WhatsApp e redes sociais para perceber: todo mês, pelo menos quatro ou cinco carros viram cinzas em avenidas movimentadas da cidade. E quase sempre, o motivo é o mesmo: descaso com a manutenção.
Veja abaixo um levantamento estimado com base em notícias veiculadas e registros de órgãos de trânsito e bombeiros (jan-jul/2025):
| Mês | Incêndios em veículos em Teresina (estimado) |
|---|---|
| Janeiro | 4 |
| Fevereiro | 3 |
| Março | 5 |
| Abril | 6 |
| Maio | 4 |
| Junho | 5 |
| Julho | 3 (até dia 25) |
Neste caso, não houve vítimas - apenas prejuízo material. Mas e se fosse diferente? E se houvesse crianças no banco de trás, passageiros dormindo no banco da frente, ou se o carro tivesse colidido em meio ao desespero?
A recorrência desses episódios acende um alerta que não pode mais ser ignorado: a urgente necessidade de revisão periódica dos veículos, especialmente os de uso comercial e urbano. Mais do que isso, é hora das autoridades municipais intensificarem campanhas educativas, inspeções técnicas e até exigirem comprovantes de manutenção preventiva para veículos que circulam em áreas de grande tráfego.
O episódio desta sexta-feira precisa ser tratado como sintoma de um problema maior. Não é aceitável que uma cidade inteira conviva com o risco constante de ver seus veículos virarem piras ardentes - em vias movimentadas -, por pura negligência.
Com a chegada do período mais quente do ano - o BR-O Bró -, e o aumento do uso de sistemas elétricos nos carros (ar-condicionado, som, iluminação), o risco de incêndios cresce exponencialmente.
Fica o alerta: prevenir ainda é mais barato - e mais seguro - do que apagar incêndios.










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