
O Brasil levou à OMC (Organização Mundial do Comércio), nesta quarta-feira (23), um protesto formal contra as novas tarifas de 50% impostas por Donald Trump a produtos brasileiros. A iniciativa recebeu apoio verbal de cerca de 40 países - entre eles China, Índia, Rússia, União Europeia e Canadá - mas ninguém, nem mesmo esses aliados ocasionais, decidiu assinar uma ação conjunta ou criticar abertamente os EUA.
Na prática, nenhum impacto imediato. A simples inclusão do tema na pauta do Conselho Geral da OMC não tem poder de suspender as tarifas, nem força a Casa Branca a recuar antes do início da cobrança, previsto para 1º de agosto. O gesto é apenas simbólico, um “traque” diplomático para tentar criar um factóide político doméstico diante da falta de uma estratégia real.
Países como México, França e a própria China, assim que souberam da medida americana, sentaram à mesa para negociar bilateralmente com Washington, buscando suavizar o impacto para seus setores produtivos. Já o Brasil parece ter ficado isolado no papel de “boi de piranha” - um peão jogado ao rio para distrair as piranhas - enquanto os demais defendem seus interesses em tratativas diretas.
Indústria e o agronegócio no Brasil cobram do Itamaraty menos radicalização retórica e mais diplomacia pragmática, ou seja: conversas diretas com o governo Trump para tentar amenizar a tarifa. O gesto na OMC, além de inócuo, pode até endurecer ainda mais a posição americana.
Não. A OMC não tem mecanismos rápidos para obrigar um país-membro a recuar de medidas unilaterais. Qualquer painel de disputa comercial demoraria meses ou anos para produzir um resultado, e ainda dependeria da disposição dos EUA em cumpri-lo.
A atitude do Itamaraty é vista no mercado como fraca, improvisada e meramente política, sem efeito prático para proteger os exportadores brasileiros. Enquanto outros correm atrás de soluções concretas, o Brasil faz discurso para a plateia interna, deixando sua indústria e produtores rurais à mercê do tarifaço de Trump.
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