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Protesto vazio na OMC: Brasil vira “boi de piranha” contra tarifas de Trump

Itamaraty transforma protesto na OMC em gesto simbólico, sem impacto real sobre tarifas de Trump, enquanto produtores brasileiros cobram negociações diretas

23/07/2025 às 09h25
Por: Douglas Ferreira
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Protesto na OMC não gera nenhum impacto imediato - Foto: Reprodução
Protesto na OMC não gera nenhum impacto imediato - Foto: Reprodução

O Brasil levou à OMC (Organização Mundial do Comércio), nesta quarta-feira (23), um protesto formal contra as novas tarifas de 50% impostas por Donald Trump a produtos brasileiros. A iniciativa recebeu apoio verbal de cerca de 40 países - entre eles China, Índia, Rússia, União Europeia e Canadá - mas ninguém, nem mesmo esses aliados ocasionais, decidiu assinar uma ação conjunta ou criticar abertamente os EUA.

Qual o resultado prático?

Na prática, nenhum impacto imediato. A simples inclusão do tema na pauta do Conselho Geral da OMC não tem poder de suspender as tarifas, nem força a Casa Branca a recuar antes do início da cobrança, previsto para 1º de agosto. O gesto é apenas simbólico, um “traque” diplomático para tentar criar um factóide político doméstico diante da falta de uma estratégia real.

O que os outros estão fazendo?

Países como México, França e a própria China, assim que souberam da medida americana, sentaram à mesa para negociar bilateralmente com Washington, buscando suavizar o impacto para seus setores produtivos. Já o Brasil parece ter ficado isolado no papel de “boi de piranha” - um peão jogado ao rio para distrair as piranhas - enquanto os demais defendem seus interesses em tratativas diretas.

O que esperam os produtores?

Indústria e o agronegócio no Brasil cobram do Itamaraty menos radicalização retórica e mais diplomacia pragmática, ou seja: conversas diretas com o governo Trump para tentar amenizar a tarifa. O gesto na OMC, além de inócuo, pode até endurecer ainda mais a posição americana.

Vai sair alguma decisão da OMC antes de agosto?

Não. A OMC não tem mecanismos rápidos para obrigar um país-membro a recuar de medidas unilaterais. Qualquer painel de disputa comercial demoraria meses ou anos para produzir um resultado, e ainda dependeria da disposição dos EUA em cumpri-lo.

Conclusão:

A atitude do Itamaraty é vista no mercado como fraca, improvisada e meramente política, sem efeito prático para proteger os exportadores brasileiros. Enquanto outros correm atrás de soluções concretas, o Brasil faz discurso para a plateia interna, deixando sua indústria e produtores rurais à mercê do tarifaço de Trump.

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