
O Piauí lidera a exportação de mel no Brasil e tem nos Estados Unidos seu maior cliente, responsável por quase toda a compra do produto piauiense. Em 2024, foram 9 mil toneladas embarcadas apenas para o país norte-americano, gerando cerca de US$ 25 milhões ao Estado. No total, o Brasil faturou quase US$ 80 milhões com a venda internacional de mel — sendo que 80% desse volume foi direto para as prateleiras norte-americanas.
No entanto, o novo tarifaço de 50% anunciado pelo presidente Donald Trump ameaça amargar esse mercado. Mesmo antes da taxação, o Brasil já enfrentava forte concorrência: as abelhas brasileiras abastecem apenas 11% da demanda dos EUA, ficando atrás da Índia (30%) e da Argentina (17%), que agora virou a queridinha da Casa Branca — e escapou da nova taxação imposta aos demais exportadores.
A dependência brasileira e, principalmente, piauiense do mercado norte-americano é tamanha que, sem os Estados Unidos, as exportações de mel praticamente evaporam. Para se ter uma ideia, a produção norte-americana cobre apenas 25% do que consome. O restante vem de fora — e o Brasil, especialmente o Piauí, tem sido um dos principais fornecedores dessa “doce demanda”.
Se a nova tarifa for mantida, os efeitos podem ser devastadores para a cadeia apícola brasileira. Estados como o Piauí, onde o clima do sertão favorece a produção e a economia local gira em torno dessa atividade, terão que enfrentar a difícil tarefa de encontrar novos mercados — ou encarar um prejuízo amargo com gosto de ferrão.
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