
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) parece cada vez mais confortável em bater de frente com a maior economia do planeta - ainda que à custa do bolso do produtor brasileiro. Depois de Donald Trump anunciar a imposição de uma tarifa de 50% sobre produtos do Brasil, Lula desdenhou do impacto imediato e sinalizou que pode retaliar: “A guerra tarifária vai começar na hora que eu der a resposta ao Trump”, disse, nesta segunda-feira (21), no Chile.
A frase, em tom desafiador, levanta perguntas inevitáveis: qual resposta? O Brasil, atolado em déficits, com indústria fragilizada e dependente do mercado americano para setores chave como o agro, tem mesmo cacife para escalar uma disputa comercial com Washington? Ou a retórica de Lula é apenas bravata para plateias internas e companheiros ideológicos?
Em vez de se comprometer com um plano de ação claro, o presidente mais uma vez empurrou a conta para terceiros. Em Santiago, após reunião com líderes de esquerda da América do Sul e da Espanha, Lula pediu que “os empresários brasileiros conversem com os americanos” para tentar amenizar os efeitos da tarifa, que já começa a estrangular produtores de mel, suco de laranja, aço e carne.
Ou seja: um problema criado por ele próprio, com declarações incendiárias e ataques recorrentes aos EUA, agora é “problema do Brasil” - mas a solução, ele sugere, não virá da diplomacia oficial e sim da boa vontade do setor privado.
Na mesma fala, Lula fez questão de dizer que “não estamos em uma guerra tarifária” - para logo depois avisar que ela só começará quando ele decidir. Uma postura típica do “bom de gogó” que subestima a dimensão geopolítica de um choque com Washington.
Enquanto isso, Trump, que lidera as pesquisas para voltar à Casa Branca em 2026, já dá sinais claros de que o Brasil não terá moleza sob sua administração. Sua equipe econômica defende barreiras para conter o que chama de “concorrência desleal” e protecionismo verde disfarçado em nome do clima, um discurso que atinge em cheio a retórica ambiental de Lula.
No mundo real, produtores já contabilizam prejuízos. A indústria de mel orgânico, liderada pelo Piauí, já perdeu embarques milionários e precisou colocar toneladas de mercadoria em câmaras frias, sem destino. O agro - setor que Lula tenta seduzir - depois de chamar de facista -, sente no caixa o impacto das tarifas, e outros segmentos temem perder competitividade.
A pergunta que é: que carta Lula tem na manga? Punir produtos americanos? Romper com acordos? Correr para os braços de China e Rússia? A retaliação pode ter um preço altíssimo para o consumidor brasileiro, que já convive com inflação persistente nos alimentos.
Ao lado de Gabriel Boric (Chile), Gustavo Petro (Colômbia), Yamandú Orsi (Uruguai) e Pedro Sánchez (Espanha), Lula foi perguntado se havia discutido o tarifaço com os colegas. Resposta: não. “Esse é um problema do Brasil”, disse, como se a pressão não fosse fruto direto de sua diplomacia personalista e do confronto verbal com Washington desde a posse.
Ao acusar “práticas intervencionistas” de extremistas, sem citar Trump, Lula revelou que continua a ver o mundo como uma arena ideológica. A má notícia é que, enquanto o presidente briga para mostrar que tem peito para desafiar Trump, a conta dessa ousadia já está chegando para os produtores e para a balança comercial brasileira.
O que se desenha, portanto, é um cenário em que o Brasil paga para ver - e quem pode perder é a economia nacional.
A guerra tarifária ainda não começou oficialmente. Mas, do jeito que Lula gosta de inflamar o ambiente, ela pode começar antes que ele tenha qualquer estratégia para vencê-la.
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