
Em meio ao acirramento nas relações entre os governos Lula e Trump, uma reportagem da Folha de S. Paulo levantou a possibilidade — ainda especulativa — de os Estados Unidos desativarem o sinal do GPS no Brasil como parte de novas sanções. O sistema de geolocalização global é operado pela Marinha americana e sua suspensão poderia causar um colapso em setores estratégicos da economia brasileira, afetando desde a logística agrícola até a segurança pública e o sistema bancário.
Segundo especialistas, como Jorge Santos Filho (ESPM) e Luca Belli (FGV), o desligamento técnico é possível, mas altamente improvável. A medida exigiria esforço operacional considerável, além de ter efeito cascata em países vizinhos e até no próprio mercado americano, já que empresas dos EUA também dependem do GPS para operar no Brasil. “Seria um tiro no pé”, diz Belli, lembrando que 95% dos dispositivos móveis utilizam o sistema americano de navegação.
A interrupção do sinal comprometeria a navegação de mísseis, o controle aéreo, a entrega de mercadorias, o funcionamento de aplicativos e sistemas de telecomunicações. Na agricultura de precisão, o impacto seria imediato, afetando a produtividade e exportações. Na prática, dizem os analistas, os danos ultrapassariam as fronteiras brasileiras e teriam reflexos no comércio e na estabilidade global.
O episódio reacende o debate sobre a dependência brasileira do GPS norte-americano. Rússia, China, União Europeia, Índia e Japão já desenvolveram seus próprios sistemas de navegação para reduzir vulnerabilidades. Belli defende que o Brasil também diversifique suas fontes de geolocalização. “Não é preciso criar um sistema nacional, mas o país precisa ter alternativas. A soberania tecnológica está em jogo.”
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