
Um novo desafio se impõe à economia brasileira com a tarifa de 50% sobre produtos de diversos países, incluindo o Brasil, anunciada pelos Estados Unidos e válida a partir de 1º de agosto. A medida, que rompe com padrões anteriores e tem motivações políticas segundo especialistas, afeta diretamente a indústria de transformação e o agronegócio nacional. Segundo estudo da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), o impacto pode gerar uma perda de R$ 19,2 bilhões no PIB e até 110 mil postos de trabalho. A decisão foi comunicada por carta ao presidente Lula e está relacionada a tensões políticas envolvendo o ex-presidente Jair Bolsonaro e divergências sobre regulação de redes sociais.
Os estados mais afetados economicamente serão São Paulo, Rio Grande do Sul, Paraná, Santa Catarina e Minas Gerais, que concentram as cadeias industriais mais integradas ao mercado americano. Somente São Paulo pode perder R$ 4,46 bilhões em sua economia local. Empresas como Embraer, WEG, Randon e Frasle estão entre as que mais sentirão os efeitos, seja pelo aumento direto dos custos com exportação, seja pela queda nas margens de lucro. A indústria de máquinas, siderurgia, bens de consumo e têxteis também será duramente atingida, com possíveis retrações superiores a 10% nas exportações de alguns segmentos.
No campo, o agronegócio brasileiro também entra na linha de fogo. As perdas devem ser significativas na exportação de carne suína e de frango, café, açúcar e suco de laranja — produtos com forte dependência do mercado norte-americano. O setor agropecuário pode perder cerca de 40 mil empregos, enquanto a indústria de alimentos como Jalles Machado e Minerva tentam redirecionar parte das exportações para outros mercados, como Coreia do Sul e Europa, embora sem garantia de compensação completa. A exportação de suco de laranja, por exemplo, está ameaçada por não ter mercado alternativo com demanda suficiente.
A Confederação Nacional da Indústria (CNI) e a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) criticam a medida, alertando para a perda de competitividade do Brasil em um momento de desaceleração global. Para o presidente da CNI, Ricardo Alban, a tarifa de 50% equivale a um embargo e prejudica tanto o Brasil quanto os Estados Unidos, que dependem de cadeias produtivas integradas. Já a CNA vê a ação como reflexo de uma "agenda política sequestrada", que transforma o Brasil em refém de disputas ideológicas externas, travando decisões econômicas estratégicas para o desenvolvimento do país.
ESCALA 6X1 Presidente da CNI defende que Senado discuta modernização trabalhista à exaustão
AUMENTANDO DÍVIDAS? Dia após o jogo?
OPERAÇÃO MIRAGEM Digimais: os CDBs cresceram 1.130%. Mas de onde veio tanto dinheiro?
POLÍCIA FEDERAL Digimais e Master: bancos diferentes, roteiro parecido?
INDÚSTRIA AUTOMOTIVA Adeus aos ingleses: Jaguar Land Rover fecha fábrica e muda mapa da indústria automotiva
RESTITUIÇÃO Receita libera consulta ao IR e paga 2º lote no fim de junho
INDUSTRIA FIEPI e sindicatos da indústria piauiense participam de encontro com pré-candidatos à Presidência
COMÉRCIO EXTERIOR Tarifas dos EUA: governo Lula admite dificuldade para evitar novas sobretaxas
RANKING MUNDIAL Brasil cai no ranking de competitividade: desemprego baixo não esconde problemas estruturais Mín. 23° Máx. 32°