
O que começou como um “negócio da China” virou um fracasso retumbante. Pouco mais de um ano após desembarcar no Brasil com promessas de revolucionar o mercado de veículos elétricos, a montadora chinesa Neta Auto está, na prática, encerrando sua operação no país.
A marca, controlada pela matriz Hozon Auto - que enfrenta falência na China -, vendeu apenas 59 veículos em 2025 em todo o Brasil. Do estoque inicial de cerca de 700 unidades, a maioria já foi retirada do país nos últimos meses, restando cerca de 300 carros ainda à venda. Hoje, a Neta mantém apenas uma concessionária em funcionamento, no Rio de Janeiro, e um escritório em São Paulo.
A expectativa era alta: preços agressivos, design moderno e a força da indústria chinesa. Mas o resultado ficou bem aquém do esperado. Especialistas apontam alguns fatores para o fiasco:
Marca desconhecida: O consumidor brasileiro ainda valoriza marcas com reputação sólida. Montadoras chinesas, mesmo com preços competitivos, ainda enfrentam desconfiança no pós-venda e na durabilidade.
Rede frágil de concessionárias: Com apenas duas lojas inauguradas (agora só resta uma), a estrutura de vendas e assistência técnica era insuficiente para dar segurança ao comprador.
Concorrência feroz: A BYD, também chinesa, e outros players como Volvo, GWM e até modelos híbridos da Toyota ocupam o espaço dos elétricos no Brasil, com muito mais capilaridade e aceitação.
Preço não tão baixo assim: Os preços iniciais da Neta não chegaram a ser disruptivos o suficiente para compensar o risco de apostar numa marca nova.
Crise na matriz: O processo de falência da Hozon na China também contribuiu para desacreditar a operação brasileira, afastando potenciais compradores.
No Brasil, a operação da Neta era bastante pequena: o fechamento da montadora deve afetar algumas dezenas de empregos diretos - entre funcionários das lojas, escritório e logística - e um número incerto de prestadores de serviços. Não há um impacto significativo para a economia ou para o mercado automotivo em geral, já que a marca sequer chegou a ganhar escala.
O caso da Neta expõe um alerta para a chegada apressada de novas montadoras ao Brasil sem planejamento robusto, rede de atendimento confiável e estratégias bem adaptadas ao consumidor local. O mercado brasileiro de elétricos cresce, mas ainda é dominado por marcas que investem pesado em imagem, infraestrutura de recarga e pós-venda.
A Neta prometia fortalecer os laços comerciais Brasil-China, criar empregos e baratear o carro elétrico. Na prática, saiu quase do mesmo jeito que chegou: sem deixar marcas - exceto no descrédito para novas aventuras mal planejadas.
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