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Curiosidade SUBMARINO HISTÓRICO

O pioneiro submersível de 1620: como o rei James I viajou sob o Tâmisa em um protótipo de submarino

Cornelis Drebbel construiu um submarino de madeira revestido de couro que, segundo relatos, transportou o monarca da Inglaterra e outros passageiros por até três horas a 4–5 metros de profundidade - um feito extraordinário da engenharia primitiva que só foi superado séculos depois

13/07/2025 às 06h00
Por: Douglas Ferreira
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Protótipo da invenção de Drebbel - Foto: Reprodução
Protótipo da invenção de Drebbel - Foto: Reprodução

No início da década de 1620, o inventor holandês Cornelis Drebbel - apoiado pelo rei James I da Inglaterra - colocou o mundo em choque ao construir o que pode ser considerado o primeiro submarino funcional da história moderna. Realizado segundo as descrições do matemático John Wilkins em sua obra Mathematicall Magick (1648), o monarca teria entrado numa dessas experimentações subaquáticas, ainda que a evidência documental seja indireta.

Drebbel fabricou entre duas e três versões desse aparelho navegável entre 1620 e 1624. O modelo mais avançado, construído com madeira revestida de couro engraxado, equipado com seis remos e capacidade para 16 passageiros, teria mantido a imersão por três horas a uma profundidade entre quatro e cinco metros. O trajeto envolvia navegar sob o rio Tâmisa da região de Westminster até Greenwich, chegando a impressionar milhares de londrinos que assistiam à experiência.

A propulsão se dava por remos que passavam por selos estanques, uma solução engenhosa para mover o submarino de forma confiável. O controle da flutuabilidade era feito por sacos de pele de porco presos a cordas, que, ao serem enchidos de água, permitiam a imersão; e para retornar à superfície, a água era expelida manualmente .

Um dos pontos mais impressionantes foi o dispositivo de purificação do ar. Embora os detalhes permaneçam envoltos em mistério, relatos históricos indicam que Drebbel utilizava uma substância química - possivelmente o nitrato de potássio - para revigorar o oxigênio interno, antecipando a descoberta formal do oxigênio por mais de um século.

As crônicas da época afirmam que o rei e seu séquito permaneceram por horas submersos, saindo e emergindo sob comando, enquanto espectadores observavam o feito com fascínio e medo. No entanto, algumas visões modernas sugerem que o aparelho talvez fosse apenas um semi-submersível que flutuava com a parte superior quase à superfície, contando com o impulso da corrente do rio para se movimentar.

A engenhosidade de Cornelis Drebbel pode ter mudado o rumo da navegação no mundo - Foto: Reprodução

Do ponto de vista histórico, essa façanha de Drebbel representa a audácia da Revolução Científica do século XVII e a importância do mecenato real na promoção de inovações tecnológicas arriscadas e visionárias. Apesar de não atrair o interesse militar da Marinha inglesa, o projeto de Drebbel deixou um legado duradouro para o desenvolvimento das tecnologias subaquáticas.

Em síntese, o que muitos consideram lenda pode ter base: um rei submerso, 16 passageiros, tecnologia artesanal - tudo isso quatro séculos antes de submarinos modernos cruzarem oceanos. Uma história que desafia o passado e ilumina a capacidade humana de imaginar o impossível.

Ao considerar que esse feito ocorreu quase 400 anos atrás, num mundo sem eletricidade, sem motores a óleo, sem ferramentas de precisão modernas, salta aos olhos o quão pioneiro foi o trabalho de Drebbel. É uma lição clara de que o avanço tecnológico não é privilégio exclusivo de nossa era digital: ele nasce da ousadia, da curiosidade e, sobretudo, da coragem intelectual.

Embora muitos historiadores questionem a veracidade de o rei James ter realmente realizado a viagem, os relatos contemporâneos - e especialmente a demonstração pública em 1624 - consolidaram o submarino como plausível e repetível. E por mais fantástica que a narrativa pareça, não foi apenas espetáculo: foi avanço técnico.

Finalmente, a história de Drebbel é mais do que uma curiosidade exótica: é um pano de fundo simbólico para refletirmos sobre como imaginamos tecnologia hoje. Assim como naquele século se invejava o inventor que criou uma “nave invisível”, hoje nos espantamos com drones, IA e viagens espaciais. Mas não nos enganemos: ontem como hoje, a verdadeira revolução começa na mente azáfama do criador - e, principalmente, na coragem de testar o impossível.

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