
No início da década de 1620, o inventor holandês Cornelis Drebbel - apoiado pelo rei James I da Inglaterra - colocou o mundo em choque ao construir o que pode ser considerado o primeiro submarino funcional da história moderna. Realizado segundo as descrições do matemático John Wilkins em sua obra Mathematicall Magick (1648), o monarca teria entrado numa dessas experimentações subaquáticas, ainda que a evidência documental seja indireta.
Drebbel fabricou entre duas e três versões desse aparelho navegável entre 1620 e 1624. O modelo mais avançado, construído com madeira revestida de couro engraxado, equipado com seis remos e capacidade para 16 passageiros, teria mantido a imersão por três horas a uma profundidade entre quatro e cinco metros. O trajeto envolvia navegar sob o rio Tâmisa da região de Westminster até Greenwich, chegando a impressionar milhares de londrinos que assistiam à experiência.
A propulsão se dava por remos que passavam por selos estanques, uma solução engenhosa para mover o submarino de forma confiável. O controle da flutuabilidade era feito por sacos de pele de porco presos a cordas, que, ao serem enchidos de água, permitiam a imersão; e para retornar à superfície, a água era expelida manualmente .
Um dos pontos mais impressionantes foi o dispositivo de purificação do ar. Embora os detalhes permaneçam envoltos em mistério, relatos históricos indicam que Drebbel utilizava uma substância química - possivelmente o nitrato de potássio - para revigorar o oxigênio interno, antecipando a descoberta formal do oxigênio por mais de um século.
As crônicas da época afirmam que o rei e seu séquito permaneceram por horas submersos, saindo e emergindo sob comando, enquanto espectadores observavam o feito com fascínio e medo. No entanto, algumas visões modernas sugerem que o aparelho talvez fosse apenas um semi-submersível que flutuava com a parte superior quase à superfície, contando com o impulso da corrente do rio para se movimentar.
Do ponto de vista histórico, essa façanha de Drebbel representa a audácia da Revolução Científica do século XVII e a importância do mecenato real na promoção de inovações tecnológicas arriscadas e visionárias. Apesar de não atrair o interesse militar da Marinha inglesa, o projeto de Drebbel deixou um legado duradouro para o desenvolvimento das tecnologias subaquáticas.
Em síntese, o que muitos consideram lenda pode ter base: um rei submerso, 16 passageiros, tecnologia artesanal - tudo isso quatro séculos antes de submarinos modernos cruzarem oceanos. Uma história que desafia o passado e ilumina a capacidade humana de imaginar o impossível.
Ao considerar que esse feito ocorreu quase 400 anos atrás, num mundo sem eletricidade, sem motores a óleo, sem ferramentas de precisão modernas, salta aos olhos o quão pioneiro foi o trabalho de Drebbel. É uma lição clara de que o avanço tecnológico não é privilégio exclusivo de nossa era digital: ele nasce da ousadia, da curiosidade e, sobretudo, da coragem intelectual.
Embora muitos historiadores questionem a veracidade de o rei James ter realmente realizado a viagem, os relatos contemporâneos - e especialmente a demonstração pública em 1624 - consolidaram o submarino como plausível e repetível. E por mais fantástica que a narrativa pareça, não foi apenas espetáculo: foi avanço técnico.
Finalmente, a história de Drebbel é mais do que uma curiosidade exótica: é um pano de fundo simbólico para refletirmos sobre como imaginamos tecnologia hoje. Assim como naquele século se invejava o inventor que criou uma “nave invisível”, hoje nos espantamos com drones, IA e viagens espaciais. Mas não nos enganemos: ontem como hoje, a verdadeira revolução começa na mente azáfama do criador - e, principalmente, na coragem de testar o impossível.







MICROBIOMA Homem de Gelo morreu há 5.300 anos, mas seus micróbios continuam vivos
SERIEDADE! CIA e FBI: apenas ficção?
CURIOSIDADE Estudo revela que pulsos humanos ainda carregam marcas da evolução dos primatas; entenda Mín. 23° Máx. 32°