
As viagens de Lula pelo planeta tornaram-se tão frequentes que já é difícil até precisar o número exato. Uma maratona diplomática de primeira-dama, ministros, assessores e convidados de confiança, que parece mais uma caravana palaciana do que uma agenda de Estado. O problema é que a paciência - e a boa vontade - para justificar tanto deslocamento está se esgotando. Até simpatizantes de longa data da “causa lulista” arriscam questionar o real resultado prático desse tour permanente.
O jornalista e ex-deputado federal, Fernando Gabeira, em uma análise fria e incômoda para o Planalto, cravou:
“Eu acho que poucos presidentes no mundo rodaram tanto quanto Lula - e com tanta gente. Na verdade, eu não conheço nenhum. Essas viagens são muito caras para o país e algumas delas não representam grandes avanços que justifiquem os gastos. Ele acha que sim, mas eu não vejo benefícios claros para o Brasil".
O argumento de Lula para seguir rodando o mundo é justamente o oposto: segundo ele, as viagens pagam-se por si mesmas e são “muito lucrativas” para o país. O detalhe é que ele próprio já admitiu que não sabe quanto custam essas peripécias internacionais. Ora - perguntaria qualquer gestor minimamente responsável - como é possível afirmar que são vantajosas se nem sequer se conhece a conta?
E ainda mais desconfortável é responder a perguntas básicas: quais grandes investimentos foram atraídos para o Brasil com essas viagens? Quantas indústrias se instalaram no país gerando empregos e divisas graças a elas? Onde estão os frutos concretos dessa peregrinação que justifiquem tamanho dispêndio de recursos públicos? Até agora, o silêncio de Lula é ensurdecedor.
Gabeira foi além: reconheceu que é um tema difícil de discutir - afinal, ninguém questiona a necessidade de um presidente manter relações internacionais. Mas alertou para a falta de critério:
“Se essa tática fosse realmente tão importante, eu acho que todos os presidentes do mundo estariam correndo incessantemente atrás de acordos comerciais. Mas não é isso o que a gente vê. Parece mais um vício pessoal do que uma estratégia de Estado".
O resultado é um presidente cada vez mais ausente do próprio país, mais preocupado em colecionar fotos com líderes estrangeiros do que em resolver a crise interna que corrói a economia, a segurança e a confiança popular. Para muitos brasileiros, o “presidente viajante” já virou um símbolo da desconexão do Planalto com a realidade de quem fica.
Resta saber até quando o contribuinte vai pagar essa conta - sem saber nem mesmo o valor final da fatura.
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