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Tecnologia TECNOLOGIA

Brasil expande supercomputador Santos Dumont com foco em inteligência artificial

Atualização eleva capacidade em 575% e integra primeiro investimento do Plano Brasileiro de IA

11/07/2025 às 10h42 Atualizada em 13/07/2025 às 09h57
Por: Wagner Albuquerque
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Foto: Reprodução
Foto: Reprodução

O supercomputador Santos Dumont, operado pelo Laboratório Nacional de Computação Científica (LNCC) no Rio de Janeiro, passou por uma grande atualização e agora atinge 18,85 petaflops — o equivalente a 18,85 quadrilhões de operações por segundo. Isso representa um salto de 575% em relação à sua capacidade original, anunciada em 2015. A ampliação faz parte do primeiro grande investimento do recém-lançado Plano Brasileiro de Inteligência Artificial (PBIA), que prevê R$ 23 bilhões em aportes nos próximos quatro anos.

Desenvolvida e integrada pela empresa Eviden, do grupo Atos, a nova arquitetura do Santos Dumont utiliza tecnologias de ponta fornecidas por Nvidia, Intel e AMD. O equipamento foi segmentado em cinco partições, cada uma com diferentes tipos de processadores e GPUs voltadas ao processamento de dados em pesquisas científicas, com destaque para aplicações em inteligência artificial. Os componentes estão interligados por uma rede Nvidia Infiniband NDR de 400 Gb/s e utilizam a arquitetura BullSequana XH3000.

Além de mais potente, o novo Santos Dumont também é mais eficiente energeticamente. Seu sistema de resfriamento por líquido agora capta mais de 98% do calor gerado pelos racks, que ocupam cerca de 7 m². A tecnologia utiliza água em temperatura ambiente para manter a temperatura ideal de processadores, GPUs, fontes e outros componentes. Segundo a Eviden, o sistema supera o desempenho da versão de 2015, que captava cerca de 80% do calor com água.

O supercomputador, que no passado chegou a ser desligado por falta de recursos para pagar a conta de energia, está novamente no centro da inovação nacional. Ele pode ser requisitado por pesquisadores e instituições de todo o país, e ganhou visibilidade internacional ao participar do sequenciamento do genoma do coronavírus em 2020. Agora, com o reforço estrutural e tecnológico, o Santos Dumont promete ser peça-chave na soberania científica e tecnológica do Brasil na era da inteligência artificial.

Uma descrição detalhada da configuração dos nós do SDumont é apresentada a seguir:

Plataforma BullSequana X1000

  • 246 nós computacionais (CPU), cada um com 2x Intel Xeon Cascade Lake Gold 6252 (24 cores por CPU) e 384Gb de memória RAM

  • 36 nós computacionais (CPU), cada um com 2x Intel Xeon Cascade Lake Gold 6252 (24 cores por CPU) e 768 Gb de memória RAM

  • 94 nós computacionais (GPU), cada um com 2x Intel Xeon Cascade Lake Gold 6252 (24 cores por CPU), 384Gb de memória RAM e 4x GPU NVIDIA Volta V100

  • 1 nó para Inteligência Artificial com 2x Intel Xeon Skylake Gold 6148 (20 cores por CPU), 384Gb de memória RAM e 8x GPU NVIDIA Tesla V100 16GB com NVLink

Plataforma BullSequana XH3000

  • 60 nós computacionais BullSequana XH3420 (CPU), cada um com 2x AMD Genoa-X 9684X (96 cores por CPU) e 1500 GB de memória RAM

  • 62 nós computacionais BullSequana XH3145-H (GPU), cada um com 2x Intel Sapphire Rapids 9468 (48 cores por CPU), 1024 GB de memória RAM e 4x GPU NVIDIA Hopper HGX H100 SXM 80GB (16.896 CUDA Cores*) com NVLink

  • 36 nós computacionais BullSequana XH3515-H (NVIDIA GraceHopper SuperChip), cada um com 4x CPU Grace ARM64 (72 cores por CPU), 480 GB de memória RAM e 4x GPU NVIDIA GH200 (16.896 CUDA Cores*) com NVlink

  • 18 nós computacionais BullSequana G383-R80 (AMD APU), cada um com 2x APU AMD Instinct MI300A (24 CPU cores Zen4 + 14.592 GPU cores CDNA3 + 128 GB HBM3 por APU)

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