
O anúncio feito por Jair Bolsonaro nesta sexta-feira (11) jogou por terra a narrativa do governo Lula, que tenta responsabilizar o ex-presidente pelo tarifaço de 50% imposto por Donald Trump sobre produtos brasileiros. Bolsonaro sinalizou que pretende agir diretamente para proteger os exportadores nacionais e reposicionar sua imagem política, inclusive no exterior.
Segundo aliados, Bolsonaro avalia acionar a Casa Branca por meio do deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL/SP), que mantém interlocução com republicanos e assessores próximos a Trump. O objetivo é abrir um canal para explicar a situação do Brasil e tentar sensibilizar o governo americano a reverter ou ao menos atenuar as tarifas.
Apesar do gesto ser tratado como “audacioso” por analistas, a possibilidade de sucesso não é descartada, já que Bolsonaro mantém laços com Trump e com setores do Partido Republicano. Caso a articulação funcione, o ex-presidente poderá se apresentar como um interlocutor mais pragmático e eficaz para os produtores e exportadores brasileiros do que o próprio governo Lula, que vem dobrando a aposta em retaliações contra Washington.
Um eventual recuo de Trump, atendendo a um pleito de Bolsonaro, seria um golpe duro para o Palácio do Planalto. Além de abalar a narrativa petista, reforçaria a imagem de Bolsonaro como defensor do agronegócio e da economia real, em contraposição ao tom ideológico e belicoso adotado por Lula.
Por outro lado, um fracasso nessa ofensiva pode ser usado por seus adversários para reforçar a fragilidade política de Bolsonaro, hoje alvo de processos e inelegível no Brasil.
O governo Lula, por sua vez, continua apostando na estratégia de embate, convocando a embaixadora em Washington para consultas e prometendo novas medidas de retaliação. A tensão, porém, já afeta o câmbio e o mercado financeiro: o dólar disparou e a Bolsa de Valores recuou fortemente na quinta-feira.
Nos bastidores, exportadores pressionam o governo federal por uma solução negociada, enquanto a direita já explora politicamente a postura agressiva de Lula.
Resta saber quem vai vencer a queda de braço: a diplomacia paralela de Bolsonaro ou a diplomacia ideológica de Lula. Até lá, produtores brasileiros seguem no prejuízo - e atentos a quem, de fato, pode defender seus interesses.
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