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Nordeste DERROCADA LULISTA

O PT vai perder o Nordeste? A derrocada do lulismo no seu maior reduto

Com queda de popularidade e governadores enfraquecidos, petistas enfrentam risco real de perder a Bahia para a oposição em 2026

07/07/2025 às 06h06 Atualizada em 07/07/2025 às 06h28
Por: Douglas Ferreira
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A campanha de Lula em favor de Jerônimo está sendo chamada de abraço de afogados - Foto: Reprodução
A campanha de Lula em favor de Jerônimo está sendo chamada de abraço de afogados - Foto: Reprodução

A derrocada da imagem de Lula, sobretudo no seu maior reduto eleitoral - os nove estados do Nordeste -, pode surpreender negativamente o PT nas urnas em 2026. Só para se ter uma ideia: hoje o partido comanda apenas quatro estados na região (Bahia, Ceará, Piauí e Rio Grande do Norte) e tem apenas uma capital no país, Fortaleza, enquanto Recife está nas mãos do aliado PSB.

O caso mais emblemático dessa crise é a Bahia, governada pelo PT há 20 anos. Estado mais populoso do Nordeste, com cerca de 15 milhões de habitantes e 11 milhões de eleitores, a Bahia é um símbolo do lulismo. Mas o atual governador, Jerônimo Rodrigues, vai mal. As gestões petistas acumulam problemas: economia estagnada, segurança pública deteriorada e serviços básicos capengando. Nem mesmo as visitas frequentes de Lula, que já esteve em Salvador duas vezes este ano, têm conseguido reverter a maré negativa.

O ex-prefeito de Salvador ACM Neto (União Brasil), principal nome da oposição no estado, lidera com folga as pesquisas para 2026. Levantamento do Paraná Pesquisas de março mostra Neto com 52% das intenções de voto contra apenas 27,4% de Jerônimo Rodrigues. Até o ministro Rui Costa, ex-governador da Bahia e nome mais forte do PT local, aparece atrás de ACM Neto no mesmo levantamento.

Essa tendência se reflete no descontentamento popular. Uma reportagem de O Globo ouviu eleitores lulistas frustrados: Tinha a crença de que minha vida iria melhorar, como nos outros mandatos. Mas nestes dois anos e meio, foi o contrário. Meu dinheiro não dá para nada, vivo com remédio para dormir por causa do tiroteio na favela. E a gente nem vê o Lula. Cadê ele?”, desabafou um morador de Salvador.

Riscos além da Bahia

A possível perda da Bahia não é o único sinal de alerta para o PT. No Rio Grande do Norte, Fátima Bezerra termina seu segundo mandato sem um sucessor competitivo. No Piauí, Rafael Fonteles ainda mantém boa imagem na mídia, mas convive com os problemas crônicos da esquerda: pouca entrega, criminalidade crescente, obras paradas e promessas não cumpridas. Tudo isso pode minar o discurso de que o Nordeste segue fiel ao PT.

O contraste entre a narrativa oficial - “picanha, cervejinha e justiça social” - e a realidade vivida pela população pode se refletir nas urnas. Para um partido que já representou esperança para os trabalhadores, a atual gestão tem oferecido pouco resultado concreto para sustentar essa imagem. Tanto que a oposição em Salvador já chama os apelos de Lula em favor de Jerônimo como "abraço de afogados".

Senado ainda é trunfo

Apesar da má fase, o PT ainda mantém força no Senado baiano: Rui Costa e Jaques Wagner aparecem como favoritos para as duas cadeiras do estado, superando o bolsonarista João Roma. Esse prestígio, porém, pode não ser suficiente para sustentar mais um mandato do partido no Palácio de Ondina.

O veredito vem das urnas

Se o PT perder a Bahia - junto com o Rio Grande do Norte e eventualmente o Ceará -, restará apenas o Piauí como último bastião no Nordeste. Para um partido que governou a Bahia por duas décadas e viu Lula conquistar 72% dos votos em Salvador em 2022, seria um golpe histórico.

O povo, que já amargou o fechamento das torneiras da transposição do São Francisco e agora sente a falta da prometida picanha, pode dar sua resposta em 2026. Afinal, até a paciência do mais fiel eleitor tem limites.

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A NOTÍCIA E O FATO
A NOTÍCIA E O FATO
Sobre Douglas Ferreira é multimídia. Além de jornalista, é bacharel em Direito. Foi repórter da TV Clube, afiliada da Rede Globo, por 10 anos e, em Caxias, no Maranhão, apresentou o programa “Fala Caxias”. Fundou e dirigiu por seis anos a Folha do Cocais. Foi secretário de Comunicação da Prefeitura de Caxias e retornou a Teresina como âncora da TV Meio Norte. Por 20 anos, reportou e apresentou na TV Antena 10, afiliada da Record. Também foi assessor de imprensa do Tribunal de Justiça do Piauí e passou por rádios e pelos maiores portais do Estado. Sua vida é o jornalismo. No Sistema Move de Comunicação, foi editor do Portal Move Notícias e apresentador do Business Cast, do canal movetvweb no YouTube. Agora, está à frente do Gazeta Hora1.
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