
Durante sua segunda visita ao Brasil, a diretora-adjunta da Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO), Beth Bechdol, destacou o avanço do agronegócio brasileiro na proteção de recursos naturais e na adoção de tecnologias sustentáveis. Em entrevista ao Globo Rural, Bechdol afirmou ter se surpreendido com a transformação do setor nas últimas duas décadas, elogiando o uso crescente de inteligência artificial, robótica e automação nas lavouras do país.
Bechdol está no Brasil para participar da 35ª edição da Conferência do Ifama, em Ribeirão Preto (SP), que reúne especialistas internacionais em gestão de alimentos e agronegócio. Segundo ela, o Brasil deixou para trás a imagem de país que avançava sobre florestas a qualquer custo e passou a adotar uma abordagem mais equilibrada entre produtividade e preservação ambiental. “Hoje há uma clara percepção de que é preciso administrar melhor a terra e a água disponíveis”, afirmou.
A diretora da FAO também ressaltou que essa mudança de mentalidade não se limita aos produtores rurais. Ela observa um movimento mais amplo que envolve formuladores de políticas públicas, a comunidade do agronegócio e a própria sociedade civil. “É possível produzir de forma mais eficiente e, ao mesmo tempo, proteger florestas, solo e recursos hídricos. Mas isso exige uma priorização coletiva”, reforçou.
Outro ponto destacado por Bechdol foi o compromisso contínuo do Brasil no combate à fome, independentemente de mudanças políticas. Ela elogiou a atuação do país como parceiro da FAO e afirmou que a liderança brasileira pode inspirar ações globais. “É raro ver um país que mantém políticas de combate à pobreza e à insegurança alimentar de forma consistente, mesmo com alternância de governos”, disse.
No encerramento de sua agenda na última quinta-feira (26), Bechdol chamou a atenção para os desafios atuais enfrentados pelos sistemas alimentares, como as mudanças climáticas e a instabilidade econômica. Segundo ela, a FAO se preocupa especialmente com os agricultores em áreas vulneráveis e de conflito, onde a fome atinge com mais força. “Muitas das pessoas que passam fome hoje são ligadas à agricultura. Precisamos garantir que elas também se beneficiem dos avanços tecnológicos”, concluiu.
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