
O Senado acaba de aprovar a criação de 18 novas vagas para deputados federais, ampliando de 513 para 531 o número de parlamentares a partir de 2026 com um custo adicional de R$ 64,6 milhões por ano. Em pleno debate sobre corte de gastos e crise fiscal, o Parlamento age como se vivesse em um país fictício, alheio à pobreza, ao desemprego, à fome e ao colapso dos serviços públicos. A decisão escancara o distanciamento entre a elite política e a sociedade brasileira, revelando um Congresso que se reproduz em sua própria bolha, sustentado por verbas públicas, fundos eleitorais e emendas bilionárias.
Essa ampliação de cadeiras não representa mais democracia, e sim mais espaço para a manutenção de oligarquias partidárias que se perpetuam no poder por meio da máquina de dinheiro público. Desde o mensalão, quando empresários irrigavam os bastidores políticos com propina, o mecanismo evoluiu: agora o dinheiro não vem mais “por fora”, mas diretamente do orçamento da União travestido de emenda, fundo ou cargo. Os partidos compram apoio, perpetuam nomes e controlam estruturas eleitorais com verbas que deveriam estar salvando vidas, educando crianças e cuidando do povo. É o "mensalão institucionalizado", com carimbo oficial do Estado.
A democracia brasileira foi sequestrada por um sistema parlamentar que já não representa o povo, mas sim a si mesmo. O Congresso deveria ser a casa da pluralidade e da defesa do interesse coletivo, mas virou balcão de negócios e multiplicação de privilégios. Precisamos alertar a população: não há democracia verdadeira onde o povo não é representado. A ciência política nos ensina que legitimidade exige conexão com a sociedade e essa conexão foi rompida. É hora de refundar os pilares do Parlamento brasileiro, com ética, limite de gastos e compromisso real com o futuro do país.
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