
O agravamento do conflito entre Israel e Irã deve elevar os custos de produção agrícola no Brasil, especialmente com fertilizantes, e colocar em risco a rentabilidade da safra 2025/26. A avaliação é de Mauro Osaki, pesquisador do Cepea/Esalq-USP, que alerta para os impactos diretos na capacidade de compra do produtor rural. Com a desvalorização do milho e os custos já pressionados por crises anteriores, a guerra no Oriente Médio adiciona uma nova camada de incerteza à próxima temporada.
Segundo Osaki, os reflexos do conflito podem provocar uma “seleção natural” entre os produtores, favorecendo quem conseguir manter investimentos e produtividade, enquanto outros poderão ser forçados a reduzir o uso de tecnologias ou até mesmo rever sua permanência na atividade. “Já há necessidade de mais sacas de milho para cobrir os custos operacionais. Com fertilizantes mais caros, a margem vai apertar ainda mais”, afirmou durante o evento de abertura da colheita de milho da Abramilho, em Sorriso (MT).
A situação é agravada pela dependência brasileira de fertilizantes importados, principalmente nitrogenados como a ureia, cuja produção global tem participação significativa do Irã. “O Irã é um grande produtor de amônia e comprador de milho. A guerra na região pode encarecer o frete e reduzir a oferta, elevando os preços dos insumos”, destacou Osaki. Ele defendeu o fortalecimento da produção nacional como forma de proteger o setor agrícola de oscilações geopolíticas internacionais.
Diogo Damiani, presidente do Sindicato Rural de Sorriso, também alertou para os desafios da próxima safra. Segundo ele, o aumento de US$ 50 por tonelada na ureia já pesa nos custos. “Estamos passando por fases cada vez mais difíceis. Com 37% da produção de ureia mundial localizada em regiões afetadas pela guerra, e boa parte destinada ao Brasil, a safra 2025/26 será uma das mais desafiadoras dos últimos tempos”, disse.
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