
Dezesseis anos depois do maior escândalo da história do Enem, quando cadernos de prova foram roubados da gráfica e o exame cancelado às vésperas da aplicação, o Ministério da Educação decidiu andar para trás. Pela primeira vez desde 2009, as exigências de segurança para impressão das provas foram significativamente reduzidas.
Câmeras em menor número, vigilância menos rigorosa, fim da auditoria externa obrigatória. Um pacote completo que, sob a alegação de “eficiência” e “atualização técnica”, desarma o sistema de proteção que levou anos para ser consolidado. A pergunta é inevitável: por que mudar justo agora? E mais grave ainda: por que mudar afrouxando?
O Inep diz seguir orientações do TCU e da CGU para garantir “ampla concorrência” nos processos licitatórios e reduzir custos - mas a decisão levanta suspeitas e provoca críticas duras. Especialistas em segurança e ex-gestores do próprio Enem alertam: as mudanças transferem a responsabilidade por decisões sensíveis à empresa contratada, abrem zonas cegas na vigilância e reduzem a redundância - um dos pilares da segurança em operações críticas. A justificativa oficial fala em "evolução". Mas evolução não pode significar vulnerabilidade.
O Enem movimenta milhões de vidas, define futuros e deveria estar imune a qualquer risco de sabotagem, por menor que seja. Ao desmontar parte da estrutura que protege o exame, o governo coloca em xeque não apenas a segurança, mas a credibilidade de um dos principais instrumentos de acesso à educação no país. O que está por trás dessa escolha? Custo-benefício ou conveniência política? Seja qual for a resposta, ela não justifica o risco.
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