
Em meados de 2025, arqueólogos e historiadores anunciaram a redescoberta de um astrolábio islâmico do século XI, abrigado discretamente no Museu Miniscalchi‑Erizzo, em Verona, Itália. O artefato, descrito como um “smartphone da antiguidade”, destoa dos estereótipos sobre a ciência medieval: é multifuncional, portátil e sofisticado, com inscrições em árabe, hebraico e numerais ocidentais.
Originalmente fabricado em Al-Andalus (Espanha islâmica), o astrolábio foi transportado por rotas culturais até Marrocos, Norte da África, e depois para a comunidade judaica da Itália. Marcado por diferentes mãos ao longo dos séculos, ele traz inscrições hebraicas diretamente sobre as inscrições árabes, num testemunho físico da cooperação entre muçulmanos, judeus e cristãos.
O astrolábio permitia:
medir altura de astros;
calcular o tempo;
orientar viajantes;
indicar horários de oração.
Adaptável por discos intercambiáveis - quase como instalar “apps” -, esse instrumento portável espelha a funcionalidade dos smartphones atuais.
A descoberta reforça narrativas pouco lembradas sobre a Idade Média: havia intercâmbio científico intenso entre diferentes civilizações e religiões. O astrolábio é um palimpsesto cultural - um objeto cujas camadas contam histórias de pertencimento e reinvenção.
Além de provar a autenticidade do objeto, Drª Federica Gigante destacou que o museu até considerou inicialmente uma falsificação – antes de perceber que tinha em mãos um dos artefatos mais valiosos e raros de sua coleção.
Desmistifica a ideia de atraso medieval - mostra ciência avançada, híbrida e conectada, com trocas entre culturas.
Reforça a urgência do diálogo intercultural - diálogo que inspirou, séculos atrás, ferramentas que uniam povos por meio do saber.
Chama atenção para nosso presente - num mundo polarizado, lembrar da sinergia medieval ensina que progresso e respeito surgem do contato com o diferente.
Esse astrolábio é um truque do tempo: instrumento de navegação e oração, tecnologia antiga e símbolo de tolerância. Bem mais do que um “celular de Deus”, ele é testemunha concreta dos caminhos por onde o conhecimento humano sempre fluiu - apesar de crises, guerras e preconceitos.
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