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Pirarucu de mais de 2 metros é pescado na Bahia e acende alerta ambiental

Peixe amazônico fora de seu habitat natural pode ameaçar espécies nativas e desequilibrar ecossistemas do Rio São Francisco, alertam especialistas

01/06/2025 às 07h07
Por: Douglas Ferreira Fonte: Com informações Dinheiro Rural
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O pirarucu pode atingir cerca de três metros de cumprimento - Foto: Imagem meramente ilustrativa
O pirarucu pode atingir cerca de três metros de cumprimento - Foto: Imagem meramente ilustrativa

Um peixe de origem amazônica, conhecido como pirarucu (Arapaima gigas), foi pescado no município de Malhada, no sudoeste da Bahia, levantando sérias preocupações ambientais. Com 92 quilos e 2,15 metros de comprimento, esse é o segundo exemplar capturado na região em pouco mais de um mês. O primeiro, de 80 quilos e 2,2 metros, foi pescado em abril na região do Quilombo do Pau D’Arco, no rio São Francisco.

O segundo exemplar foi retirado da Lagoa do Mucambo, o que sugere que o pirarucu está se espalhando por rios e lagoas da bacia do São Francisco. A ocorrência consecutiva dessa espécie em um intervalo tão curto de tempo levanta uma série de questionamentos: como esse peixe, típico da Amazônia, chegou à Bahia? Teria sido introduzido pelo homem? Ele se adaptou ao novo ambiente? E, mais importante: quais os impactos ambientais dessa presença?

Uma espécie exótica e ameaçadora

O pirarucu é um dos maiores peixes de água doce do mundo, podendo ultrapassar os 3 metros de comprimento e pesar até 200 quilos. É uma espécie carnívora e voraz, que se alimenta de peixes, crustáceos e pequenos animais aquáticos. No seu habitat natural, há equilíbrio ecológico porque há predadores e competição por alimento. Fora da Amazônia, porém, esse equilíbrio é rompido.

Especialistas alertam que o pirarucu, sendo uma espécie exótica nos rios da Bahia, pode provocar sérios impactos na fauna local. Ele compete com espécies nativas por alimento, pode dizimar populações inteiras de peixes menores e romper cadeias alimentares, prejudicando o equilíbrio ecológico. Além disso, a ausência de predadores naturais permite que ele se multiplique sem controle.

Segundo o biólogo Carlos Eduardo Pinheiro, “a introdução de uma espécie como o pirarucu em novos ambientes pode parecer curiosa ou até empolgante para pescadores, mas do ponto de vista ambiental, é perigosa. Essa espécie pode gerar desequilíbrios profundos, principalmente em bacias hidrográficas sensíveis como a do São Francisco”.

Introdução acidental ou deliberada?

A presença do pirarucu fora da Amazônia não é inédita. Em 2022, peixes da mesma espécie foram pescados no Rio Grande, na divisa entre São Paulo e Minas Gerais. Na maioria dos casos, os especialistas apontam para a hipótese de introdução humana: seja por criadores de peixes que soltam os animais acidentalmente ou de forma deliberada para pesca esportiva ou comercial.

No caso da Bahia, ainda não há confirmação sobre a origem dos pirarucus. No entanto, há suspeitas de que tenham sido criados em cativeiro e, por alguma razão, escapado ou sido soltos nos corpos d’água da região.

Risco econômico e turístico

Além do risco ambiental, a presença do pirarucu também pode impactar economicamente a pesca artesanal e a biodiversidade do rio São Francisco. “Espécies nativas como o surubim e o pacamã correm risco, o que afeta também a base econômica de famílias que dependem da pesca”, alerta o engenheiro ambiental Luiz Fernandes.

Por outro lado, o peixe gigante atrai curiosidade. A pesca recente mobilizou moradores e virou assunto nas redes sociais. O grupo de pescadores responsáveis pela captura do segundo exemplar pretende vender o animal. Porém, especialistas pedem cautela: "o fascínio pelo tamanho do peixe não pode sobrepor a preocupação com a sustentabilidade do ecossistema", reforça Fernandes.

O que fazer agora?

Diante da recorrência dessas ocorrências, pesquisadores e ambientalistas pedem que o Ibama e órgãos ambientais estaduais monitorem os rios da bacia do São Francisco, investiguem a origem dos pirarucus e, se necessário, adotem medidas de contenção da espécie.

“Ainda dá tempo de evitar um desastre ambiental. Mas é preciso agir rápido. Não podemos repetir os erros cometidos em outros biomas do Brasil com espécies invasoras”, conclui o biólogo Carlos Eduardo.

O caso do pirarucu na Bahia serve como alerta: a introdução de espécies exóticas, mesmo quando não intencional, pode ter consequências graves e duradouras para o meio ambiente.

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