
O Brasil deu um passo histórico nesta quinta-feira (29) ao ser oficialmente reconhecido pela Organização Mundial de Saúde Animal (OMSA) como país livre de febre aftosa sem vacinação. O anúncio foi feito durante a 92ª Assembleia Geral da entidade, realizada em Paris, e marca uma conquista esperada há décadas pelo setor agropecuário nacional.
O certificado foi entregue ao diretor do Departamento de Saúde Animal do Ministério da Agricultura, Marcelo Mota. Na próxima semana, uma cerimônia oficial com a presença do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e do ministro da Agricultura, Carlos Fávaro, consolidará esse novo patamar sanitário brasileiro, reforçando o compromisso do país com o controle de doenças animais.
A febre aftosa é uma das doenças mais temidas na pecuária mundial por seu alto potencial de disseminação e impacto econômico. Ao alcançar o status de livre da doença sem a necessidade de vacinação, o Brasil mostra ao mundo que seu sistema de vigilância e controle sanitário está entre os mais eficazes do planeta. É o fim de um ciclo iniciado há mais de 50 anos, com campanhas de vacinação em massa e fiscalização rigorosa.
O reconhecimento internacional não apenas atesta a qualidade do sistema de defesa agropecuária do país, mas também projeta o Brasil a um novo patamar de competitividade no comércio global de carnes.
Com o novo status sanitário, o Brasil passa a ter acesso facilitado a mercados altamente exigentes e que pagam mais pelas carnes importadas - como Japão, Coreia do Sul e países da União Europeia. Antes, a exigência de vacinação funcionava como barreira técnica à entrada de produtos brasileiros, mesmo com a qualidade reconhecida.
Agora, sem a necessidade de imunização contra a aftosa, as exportações tendem a aumentar em volume e valor. Além disso, os custos operacionais com campanhas de vacinação, logística e pessoal serão eliminados, o que representa economia para o setor produtivo.
A última vacinação contra a febre aftosa foi realizada em 2023. Desde então, mais de 244 milhões de bovinos e bubalinos deixaram de ser imunizados, espalhados por cerca de 3,2 milhões de propriedades em todo o território nacional. Para obter o reconhecimento da OMSA, o Brasil precisou não apenas suspender a vacinação, mas também provar que não houve novos casos da doença - algo que não ocorre desde 2006.
Até o momento, apenas alguns estados - como Santa Catarina, Paraná, Rio Grande do Sul, Acre, Rondônia e partes do Amazonas e Mato Grosso - já detinham o selo internacional de zona livre sem vacinação. Com a nova certificação, todo o país passa a ser reconhecido como território seguro do ponto de vista sanitário, o que fortalece sua imagem diante dos parceiros comerciais.
Apesar do reconhecimento, o trabalho não termina aqui. O Brasil terá que manter uma vigilância ativa e permanente para garantir que a doença continue erradicada sem o uso da vacina. Isso exigirá investimentos contínuos em infraestrutura, tecnologia e qualificação de pessoal, além da colaboração entre governos estaduais, produtores e organismos internacionais.
O desafio agora é preservar esse status e converter o reconhecimento em ganhos efetivos para o país, seja na balança comercial, seja na valorização do produto brasileiro no mercado internacional.
A conquista de hoje não é apenas do agronegócio, mas de toda uma cadeia que envolveu décadas de esforço técnico, político e institucional. É um marco que reposiciona o Brasil como protagonista global da produção de alimentos seguros e de alta qualidade.
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