
O Google revelou na última terça-feira (20) uma série de atualizações que indicam uma nova era para o seu mecanismo de busca. Em vez de apenas processar palavras-chave, a empresa quer transformar a ferramenta em um sistema de “agentes digitais”, capazes de compreender o contexto, os gostos e as necessidades reais dos usuários. O anúncio foi feito durante a conferência anual de desenvolvedores, em um momento em que o Google enfrenta pressão crescente de concorrentes que oferecem experiências baseadas em inteligência artificial.
Entre as novidades, o destaque vai para a expansão do Modo IA, agora disponível para todos os usuários dos Estados Unidos no aplicativo do Google. Essa ferramenta vai além das tradicionais respostas automatizadas, dividindo as consultas em subtópicos e oferecendo respostas mais personalizadas — com base até no histórico de pesquisa do usuário. O Modo IA também permitirá que os usuários conectem a busca a outros aplicativos do Google, como Gmail, e executem tarefas complexas, como comprar ingressos, reservar restaurantes ou identificar objetos ao redor com a câmera do celular.
Algumas funcionalidades ainda estão em fase de testes no programa Labs, como o recurso que permite ao Google realizar ações por conta própria, incluindo preencher formulários e filtrar resultados conforme preferências detalhadas. A tecnologia por trás disso, chamada de Project Mariner, é vista como um passo ousado para transformar a experiência de busca em algo mais proativo e assistencial.
A mudança vem em um momento de forte competição. Com a ascensão de plataformas como ChatGPT e Perplexity, além da movimentação de gigantes como Apple, Amazon e Microsoft, a supremacia do Google nas buscas online tem sido questionada. Um exemplo recente veio de um depoimento da Apple revelando queda nas buscas feitas via Safari, algo inédito desde 2002 — informação que o Google contesta, alegando crescimento geral.
Sundar Pichai, CEO do Google e da Alphabet, afirmou que a empresa está entrando em uma nova fase impulsionada por décadas de pesquisa em IA. “Vejo vislumbres de um mundo proativo, um mundo agente”, declarou. Com as mudanças, o Google tenta mostrar que, mesmo após quase 30 anos, seu buscador ainda tem muito a evoluir — e se manter relevante na era da inteligência artificial.
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