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Agro NOBEL DA AGRICULTURA

Mariangela Hungria: a brasileira que revolucionou a agricultura e conquistou o “Nobel da Alimentação”

Com pesquisas pioneiras sobre o uso de bactérias no solo, microbiologista da Embrapa economizou bilhões ao país, reduziu impactos ambientais e colocou o Brasil entre os maiores produtores agrícolas do mundo

21/05/2025 às 06h00
Por: Douglas Ferreira
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Microbiologista brasileira Mariangela Hungria - Foto: Reproduçõ
Microbiologista brasileira Mariangela Hungria - Foto: Reproduçõ

A engenheira agrônoma e microbiologista Mariangela Hungria, pesquisadora da Embrapa há mais de 40 anos, acaba de entrar para a história da ciência e da agricultura mundial. Ela foi a vencedora do World Food Prize 2025, conhecido como o “Nobel da Agricultura”, premiação concedida a personalidades que promovem de forma excepcional a segurança alimentar global.

Mas o que fez da brasileira uma referência internacional e motivo de tanto reconhecimento?

A revolução silenciosa das bactérias do bem

Desde os primeiros anos de sua carreira, Mariangela se dedicou a uma ideia ousada e pouco explorada: usar bactérias como aliadas do solo para substituir fertilizantes químicos. Em uma época dominada pelo uso intensivo de produtos químicos e com escassa pesquisa na área de microbiologia do solo, ela foi uma das primeiras a defender a chamada fixação biológica do nitrogênio.

Com trabalho meticuloso, isolou cepas da bactéria rhizobium e desenvolveu inoculantes capazes de fixar o nitrogênio diretamente nas raízes da soja - uma inovação que aumentou a produtividade, reduziu drasticamente os custos dos produtores e eliminou a dependência de insumos importados.

As soluções de Mariangela economizam aos agricultores brasileiros até US$ 40 bilhões por ano em fertilizantes e evitam a emissão de mais de 180 milhões de toneladas de CO₂, segundo dados da World Food Prize Foundation.

Impacto direto na produção nacional

A atuação da pesquisadora coincide com o impressionante crescimento da produção de soja no Brasil: de 15 milhões de toneladas nos anos 1980 para mais de 170 milhões atualmente. Seu trabalho também se estendeu a outras culturas, como o milho, ao usar a bactéria Azospirillum brasilense, que fortalece as raízes e melhora o aproveitamento da umidade e dos nutrientes do solo.

Mais recentemente, aplicou seu conhecimento na recuperação de pastagens degradadas, criando um inoculante capaz de aumentar em até 22% a biomassa das forrageiras - o que beneficia diretamente a pecuária nacional.

Um exemplo para a ciência e para as mulheres

O reconhecimento internacional é o ápice de uma trajetória marcada pela persistência, visão científica e amor pela sustentabilidade. Mariangela, que também é professora da Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR), integra desde 2020 a lista dos melhores cientistas agrícolas do mundo organizada pela Universidade de Stanford.

Ao receber o prêmio de US$ 500 mil (R$ 2,8 milhões), Hungria reforçou seu compromisso com uma agricultura mais limpa e eficiente:

“Tenho muito orgulho de contribuir para a produção de alimentos e, ao mesmo tempo, diminuir o impacto ambiental. Substituir o uso de produtos químicos por soluções biológicas tem sido a luta da minha vida”.

Com sua conquista, ela não apenas coloca o Brasil em evidência no cenário científico internacional, como também serve de inspiração para milhares de mulheres que desejam transformar o mundo por meio da ciência.

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