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Facções criminosas controlam 25 postos de combustíveis no Piauí e quase mil no Brasil

Setor virou rota de lavagem de dinheiro e expansão silenciosa do narcotráfico; São Paulo lidera com 290 postos sob domínio do crime organizado

18/05/2025 às 17h52 Atualizada em 18/05/2025 às 18h32
Por: Redação GH1
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Passo a passo o crime organizado vai se apossando de setores importantes da economia brasileira. Tudo nas barbas dos governos e dos órgãos de controle - Foto: Reprodução
Passo a passo o crime organizado vai se apossando de setores importantes da economia brasileira. Tudo nas barbas dos governos e dos órgãos de controle - Foto: Reprodução

A expansão das facções criminosas no Brasil já ultrapassou há tempos os limites dos presídios e das bocas de fumo. Depois de infiltrar o setor de transporte coletico em várias capitais e cidades do interior, os grandes grupos criminosos passaram a investir em atividades econômicas de fachada para lavar dinheiro do narcotráfico, expandir influência e se consolidar como “empresários” nas sombras.

Um dos alvos mais recentes é o setor de combustíveis, um dos mais restritos, regulados e concentrados da economia brasileira - o que, paradoxalmente, não impediu a penetração do crime. Segundo levantamento do setor, divulgado pelo portal R7 e pela Folha de S.Paulo, 941 postos de combustíveis estão sob o controle de facções criminosas no país. No Piauí, são 25.

Como as facções penetram em um setor tão regulado?

A infiltração ocorre principalmente por meio de laranjas, empresas de fachada, compra de participações societárias disfarçadas, e até cooptação de empresários em dificuldades financeiras. Com isso, o crime se esconde por trás de negócios aparentemente legais e aproveita a fragilidade fiscalizatória e a concentração de poder econômico no setor.

Além disso, o próprio modelo de negócio - com grande fluxo de caixa, operação com dinheiro em espécie e facilidade de distribuição - é ideal para lavagem de dinheiro oriundo do tráfico de drogas, extorsão e contrabando.

Quais facções estão por trás do domínio?

As principais organizações criminosas infiltradas no setor são as mesmas que dominam o narcotráfico e o sistema prisional:

  • Primeiro Comando da Capital (PCC)

  • Comando Vermelho (CV)

  • Família do Norte (FDN)

  • Guardiões do Estado (GDE), entre outras regionais

Segundo o especialista em segurança pública Welliton Caixeta Maciel, “o que vemos é uma adaptação do crime organizado às oportunidades de mercado. Eles se aproveitam da fragilidade da fiscalização e da potencialidade de capilaridade dos postos, que se espalham por todo o território nacional, inclusive em cidades pequenas e em rodovias estratégicas”.

Dados por Estado

O levantamento revelou a seguinte distribuição nacional dos postos dominados por facções:

  • São Paulo: 290 postos

  • Goiás: 163 postos

  • Rio de Janeiro: 146 postos

  • Bahia: 103 postos

  • Piauí: 25 postos

O Brasil conta hoje com cerca de 42 mil postos de combustíveis registrados, o que significa que mais de 2% do setor pode estar sob influência direta ou indireta do crime organizado.

E no Piauí?

Embora o Piauí ainda não tenha registrado infiltrações como as do Ceará - onde uma facção chegou a incendiar unidades móveis de operadoras de internet para tomar controle da infraestrutura - o alerta está aceso. O Estado já contabiliza 25 postos com indícios de ligação com o narcotráfico, segundo o levantamento.

Entre os indícios considerados estão:

  • Participações de ex-presidiários ou indivíduos com passagem pela polícia na sociedade das empresas

  • Fluxo atípico de capital

  • Proximidade com áreas dominadas por facções

  • Utilização de laranjas em contratos e licenças

A situação é preocupante e, segundo analistas, deveria mobilizar órgãos como o Ministério Público, a Polícia Federal, a Receita Estadual e a Agência Nacional do Petróleo - ANP, pois trata-se de um setor estratégico tanto para a economia quanto para a segurança pública.

Impunidade e concorrência desleal

A infiltração criminosa também provoca a saída de empresários legítimos do setor. “É impossível competir com quem opera à margem da lei, não paga impostos, tem acesso a capital ilícito e conta com proteção armada”, relatou um dono de posto do interior nordestino sob anonimato.

Enquanto isso, a falta de repressão firme por parte dos entes fiscalizadores e da Justiça só fortalece a percepção de que o dinheiro do crime está vencendo o jogo.

Conclusão:
A ocupação de setores legais da economia por facções criminosas é um dos maiores desafios da segurança pública brasileira. Combater essa infiltração exige não só repressão policial, mas ação coordenada entre Ministério Público, Receita Federal, ANP e agências de inteligência, para impedir que o crime organizado se travista de empresário - e domine, com aparência legal, os pilares da economia nacional.

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