
Em todos os escândalos de corrupção protagonizados pelos governos do PT - do Mensalão ao Petrolão - o roteiro se repetiu como novela mal escrita: o partido tenta desesperadamente terceirizar a culpa. E falha. Sempre falha.
Agora, diante de um dos esquemas mais vergonhosos da história da administração pública brasileira, envolvendo fraudes bilionárias no INSS, o Partido dos Trabalhadores recorre mais uma vez à sua cartilha conhecida: criar narrativas para blindar a si mesmo e projetar culpa nos adversários. O problema é que o povo não acredita mais.
A nova campanha do PT nas redes sociais, intitulada “Verdade sobre o INSS”, não emplacou. Com cinco vídeos no X (antigo Twitter), os números foram pífios: o vídeo mais visto teve pouco mais de 4 mil visualizações. Nem no Instagram - onde o alcance costuma ser maior - houve tração significativa. Uma campanha digital fraca, artificial e com cara de propaganda estatal.
Nos vídeos, o PT tenta empurrar toda a culpa para o governo Bolsonaro. A estratégia é clara: isentar Lula e sua equipe da responsabilidade pelas fraudes, que só foram estancadas - supostamente - em abril de 2025, já com dois anos completos de gestão petista. A lógica que o partido quer impor é a seguinte: "a culpa é do passado; nós estamos apenas tentando resolver".
Mas os fatos atrapalham essa versão. As fraudes começaram a aparecer ainda em 2019, sim - porém explodiram sob o governo Lula, em volume, abrangência e gravidade. Estima-se que cerca de 6 milhões de aposentados e pensionistas tiveram descontos indevidos, sem consentimento, somando R$ 6,3 bilhões retirados do bolso de idosos, viúvas e trabalhadores. E durante quase dois anos ninguém fez nada. Absolutamente nada.
Mais que isso: houve alertas. Em junho de 2023, em reunião do Conselho Nacional de Previdência Social, a conselheira Tônia Galleti avisou sobre irregularidades com descontos associativos. Estava presente o então ministro Carlos Lupi e também Wolney Queiroz, atual ministro da Previdência. O tema foi ignorado, como reconhecido pelo próprio Wolney, que teve a coragem de dizer no Senado: "Eu não tinha que fazer nada, não".
E o que o PT faz agora? Ao invés de admitir os erros, reconhecer a omissão e pedir desculpas à sociedade, opta por mais uma campanha de manipulação da opinião pública. Mas o tempo mudou. O povo não engole mais.
Prova disso foi a reação nas redes sociais. Enquanto os vídeos do PT floparam, o deputado Nikolas Ferreira (PL/MG) publicou um vídeo sobre o mesmo tema e em menos de 24 horas alcançou 100 milhões de visualizações. Até este sábado, já eram mais de 5 milhões de curtidas.
Sim, Nikolas também distorceu a cronologia dos fatos ao aliviar o governo Bolsonaro, mas o impacto da sua comunicação mostrou uma coisa fundamental: o PT perdeu o domínio da narrativa, perdeu a confiança da população, e perdeu também a capacidade de convencer. O público já entendeu o enredo - é sempre o mesmo vilão tentando bancar o mocinho.
A pergunta que fica é: por que o PT nunca faz um mea culpa? Por que não assume os erros, os desvios, os absurdos cometidos por seus próprios gestores e aliados? Por que nunca pede desculpas aos trabalhadores, aos aposentados, aos pobres que diz defender?
A resposta talvez esteja no próprio DNA do partido. Um partido que elege adversários como inimigos, que se vê como infalível, e que considera qualquer crítica uma forma de "perseguição". Um partido que, mesmo após ser julgado, condenado e preso, se recusa a reconhecer os próprios crimes.
No caso do INSS, não estamos falando de cifras abstratas. Estamos falando de velhinhos enganados, viúvas roubadas, pobres ludibriados, e um governo que fingiu não ver - até que a imprensa, a CGU e a Polícia Federal não puderam mais ser ignoradas.
E se Lula e o PT não aprenderem a fazer autocrítica, talvez terminem da mesma forma que começaram: acreditando em suas próprias mentiras e sendo desmascarados pela realidade.
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