
A cada dia que passa, novos elementos vêm à tona revelando a profundidade do verdadeiro “tsunami administrativo” que foi a gestão do ex-prefeito José Pessoa Leal, o Dr. Pessoa à frente da Prefeitura de Teresina. O que se vê nos relatórios de auditoria, nos levantamentos de órgãos de controle e nos bastidores da administração pública é um cenário de irresponsabilidade sem precedentes.
Não se tratou apenas de um gestor despreparado ou inexperiente. Dr. Pessoa não foi apenas descuidado ou negligente – foi irresponsável, permitindo que a Prefeitura se tornasse palco de um saque generalizado. Enquanto participava de eventos públicos "arrastando o pé", como ele mesmo gostava de dizer, um grupo bem articulado "arrastava" tudo que era possível do erário público - pela saúde, pela educação, pela comunicação, pela Strans, por todos os setores.
Instalou-se no Palácio da Cidade um grupo inimigo da boa gestão, que promoveu o que pode ser descrito como um verdadeiro "festival de danações", para usar uma expressão comum ao próprio ex-prefeito. Foi uma "danação" bilionária, e não há como isentar o gestor máximo de responsabilidade.
Dr. Pessoa tenta agora se defender com o argumento de que "eu não tinha experiência administrativa". Mas essa justificativa não cola. A esmagadora maioria dos prefeitos brasileiros também entra sem experiência, e nem por isso permite que suas gestões virem trincheiras de corrupção, descontrole e omissão. E que se diga: não se questiona aqui a sua honestidade pessoal. Mas sim, a honestidade da sua gestão - e esta foi vagarosa na ação e conivente na omissão.
As mais de 3 mil ações protocoladas no Tribunal de Contas do Estado contra a sua administração são um retrato claro da gravidade do que ocorreu. Não estamos falando de casos isolados ou de meia dúzia de secretarias: estamos falando de um sistema inteiro de gestão que falhou, ou pior, que foi usado deliberadamente para beneficiar interesses escusos.
Relatos de assessores diretos alertando o prefeito sobre desvios e irregularidades foram ignorados. Secretários e funcionários que, da noite para o dia, passaram a ostentar riqueza e estilo de vida incompatível com seus salários - e nada foi investigado, nada foi feito. Dr. Pessoa pode ter dificuldade na fala, como o povo comenta com bom humor, mas não há registros de deficiência auditiva. Ouviu e preferiu ignorar.
O vice-prefeito e atual secretário de Governo, Jeová Alencar, que rompeu com Dr. Pessoa em janeiro de 2024, revelou que os problemas começaram a se agravar no último ano da gestão. Segundo ele, o ex-prefeito recebeu uma prefeitura equilibrada, com R$ 1 bilhão em capacidade de investimento deixado pela gestão de Firmino Filho, e ainda contraiu mais de R$ 1,5 bilhão em empréstimos. Mesmo assim, entregou a cidade com um rombo estimado em R$ 3 bilhões.
“Na pré-campanha já era perceptível alguns exageros na gestão do Dr. Pessoa”, declarou Jeová.
Ele reconheceu que os empréstimos foram necessários para investimentos, mas critica os excessos e a má aplicação dos recursos.
“Teresina cresceu, mas os problemas cresceram ainda mais”, disse o secretário.
Hoje, a grande pergunta que ecoa entre os teresinenses é: onde foi parar o dinheiro? Para onde foram os recursos dos empréstimos? O que foi feito com o caixa que havia quando Dr. Pessoa assumiu?
Dr. Pessoa tem dito que “tem história” - como cidadão, médico e parlamentar, talvez sim. Mas a história como gestor, essa está maculada e marcada como uma das mais caóticas e 'capengas' da capital piauiense. E quem cala diante de tantas "danações", ou não viu o que estava diante dos olhos, ou simplesmente deixou correr solto.
Agora, a Justiça, os órgãos de controle e a sociedade civil têm o direito, o dever e a missão de garantir que essa história não termine em impunidade, ou em, "arrasta pé".
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