
Desde que voltou ao Palácio do Planalto, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva parece mais confortável em palácios internacionais do que nas ruas do Brasil. Em apenas três meses de 2025, Lula percorreu cerca de 102 mil quilômetros em viagens internacionais - o equivalente a quase duas voltas ao mundo. O roteiro inclui Uruguai, Japão, Vietnã, Honduras, Vaticano, Rússia e, agora, China. A justificativa oficial é “fortalecer as relações internacionais do Brasil”, mas os resultados práticos seguem pouco claros, enquanto o desgaste com a população cresce.
As viagens, sempre acompanhadas de numerosa comitiva e com hospedagem em hotéis de alto padrão, têm provocado críticas sobre os custos aos cofres públicos. A primeira-dama Janja da Silva também entrou no centro da polêmica. Circula a informação - ainda sem esclarecimento oficial - de que ela teria antecipado sozinha a viagem à Roma em um avião da FAB com capacidade para 200 passageiros, repetindo o feito do folclórico garimpeiro Zé Arara, que nos anos 80 fretou um Boeing só para si. A diferença é que Zé Arara pagou do próprio bolso. Janja, se confirmado o voo solo, o fez com dinheiro público.
Enquanto Lula e Janja viajam, o povo brasileiro observa, decepcionado, a ausência de um presidente que parece ter perdido o contato com as massas. As visitas ao Nordeste - reduto histórico do petismo - têm sido cada vez mais raras e, quando ocorrem, duram pouco e evitam o contato direto com o povo. Lula já não fala mais a linguagem do trabalhador, do agricultor, do nordestino comum. Sua comunicação com o Brasil real parece cada vez mais distante, substituída por discursos obtusos em fóruns internacionais e jantares de gala.
Mais grave ainda é o questionamento sobre os benefícios concretos dessas viagens. Quais os acordos firmados? Que investimentos chegaram? O que o Brasil - e especialmente os Estados mais pobres como o Piauí - ganhou de fato? O retorno, por enquanto, parece não justificar o custo. O Brasil é um país com 21 milhões de pessoas passando fome, e a classe média sente cada vez mais o peso dos impostos usados para financiar o “turismo diplomático” de Lula e sua comitiva.
Na Rússia, o presidente confraternizou com líderes de regimes autoritários como Vladimir Putin, Xi Jinping, Nicolás Maduro e Miguel Díaz-Canel, o que reforça as críticas de que o governo brasileiro se aproxima de ditaduras em detrimento de nações democráticas. De lá, Lula seguiu para a China, onde participará da Celac, grupo que reúne o que muitos classificam como a “esquerda retrógrada da América Latina”.
Lula parece determinado a reconstruir sua imagem de “líder global”, mas o respeito internacional de outrora - aquele que lhe rendeu o elogio de “o cara”, por Barack Obama - hoje dá lugar a olhares de desconfiança no mundo ocidental, sobretudo diante de suas posturas frente a conflitos globais, como Israel-Hamas e a Guerra da Ucrânia, e sua constante aproximação com regimes antidemocráticos.
Enquanto Lula viaja, o Brasil espera. E cobra.
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