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Cultura DEVOÇÃO PROFUNDA

O verdadeiro sentido do Dia das Mães: devoção, desafios e comércio

Do amor incondicional que molda gerações ao paradoxo da mãe moderna multitarefa, a data ganha significado além de presentes no segundo maior período de vendas do Brasil

11/05/2025 às 10h20
Por: Douglas Ferreira
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O verdadeiro sentido do Dia das Mães: devoção, desafios e comércio

Neste segundo domingo de maio, celebra-se o Dia das Mães, data dedicada a homenagear aquelas que, em muitas culturas, são vistas como expressão maior do amor incondicional. Muito além dos presentes e das flores, é um momento para reconhecer a devoção profunda que une filhos e mães - um vínculo marcado por carinho, esforço e, por vezes, sofrimento. Afinal, como diz o ditado popular, “ser mãe é padecer no paraíso”: experimentar dores e renúncias, mas também sentir a plenitude de um amor que não cabe no peito.

Devoção que atravessa gerações

Desde os primeiros passos até as grandes conquistas da vida, é à mãe que recorremos em busca de acolhimento e conselho. Seu papel de guarda-costas emocional se manifesta em noites em claro cuidando de doentes, rabiscos de lição de casa apagados com paciência e palavras de incentivo que viram mantras internos. A conexão que nasce no colo materno atravessa a infância e se renova na maturidade, quando filhos, já crescidos, retribuem gestos de cuidado e afeto - um ciclo de entrega que fortalece laços familiares.

A mãe moderna: múltiplas jornadas

Na sociedade contemporânea, a figura materna se desdobra em duas, três ou mais pessoas para dar conta de tudo:

  • Profissional dedicada, disputando espaço de igualdade no mercado de trabalho;

  • Dona de casa incansável, administrando orçamentos e planejando refeições;

  • Esposa parceira, mantendo o diálogo e o afeto no casal;

  • Educadora vigilante, acompanhando tarefas escolares e protegendo os filhos das ciladas do mundo digital.

Essa multiplicidade de papéis exige das mães habilidades quase sobre-humanas - e raramente rendeu um dia de folga de verdade. É preciso reconhecer que, para muita gente, o Dia das Mães não basta para compensar décadas de esforço silencioso.

A lembrança comercial da data

O comércio soube aproveitar o afeto familiar e transformou o Dia das Mães no segundo maior período de vendas do ano no Brasil, atrás apenas do Natal. Entre roupas, cosméticos, eletrônicos e lembranças artesanais, consumidores gastam bilhões de reais tentando resumir em um presente o valor incalculável de seus laços afetivos.

Essa simbolia forte - eleger um dia para homenagear as mães - acabou incorporada pela lógica mercadológica:

  • Campanhas publicitárias começando em abril incentivam o consumo antecipado;

  • E-commerces e shopping centers embalados por descontos e promoções;

  • Selfies e “stories” mostrando presentes de luxo, criando pressão social.

O risco é que, em meio a vitrines e carrinhos de compras, o verdadeiro espírito do Dia das Mães - a gratidão sincera, a presença amorosa e o reconhecimento do sacrifício materno - fique ofuscado. Mas, qual mãe não adora receber junto com o afeto um presente, uma lembrança?

Voltando ao essencial

Celebrar o Dia das Mães não precisa ser sinônimo de consumir. Um cartão escrito à mão, uma ligação com palavras vindas do coração ou um simples abraço prolongado valem mais do que qualquer encomenda em site de vendas. Reconhecer o valor de quem nos deu a vida passa por:

  1. Ouvir e aprender com suas histórias;

  2. Compartilhar tarefas do dia a dia para aliviar sua rotina;

  3. Expressar gratidão de forma genuína — nem sempre com presentes, mas com atitudes de cuidado e carinho.

No padecer no paraíso materno, há também poder, resistência e alegria. E cabe a cada filho - e a cada sociedade - honrar essa plenitude, e colocar todo o sentimento em um embrulho bonito o “eu te amo mamãe”.

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