
O velho ativista petista Carlos Alberto Libânio, mais conhecido como “Frei Beto” - e “frei” apenas no nome - colecionou um vexame histórico ao afirmar, antes do conclave, que jamais um cardeal norte-americano se tornaria Papa. “Há uma rejeição muito forte aos EUA na Igreja”, asseverou ele em vídeo, como se dispusesse de um certificado de autoridade vaticana. Resultado? Leão XIV, o primeiro Papa dos Estados Unidos, subiu à Cátedra de Pedro, deixando-o afundado em contradições.
Frei Beto, ex-assessor de Lula no escândalo do Mensalão, parecia preso num túnel do tempo dos anos 1980. Seus argumentos eram dignos de quem não leu sequer o boletim de notícias do Vaticano. De cara, descartou Tagle - favorito de muita gente - por ter apenas 67 anos. “Eles não querem alguém que fique 26 anos no papado, como João Paulo II”, protestou, ignorando que o próprio conclave preza, hoje, não só a experiência, mas também a renovação de ideias.
Para coroar a ira anti-americana, Frei Beto citou um meme do Trump vestido de Papa - uma montagem de inteligência artificial - como prova de animosidade. A ironia? Essa foto nunca existiu de verdade, mas serviu de munição para uma tese furada. Quem diria que um meme teria mais influência no conclave do que argumentos teológicos ou perfil pastoral?
O petista pôs o viés político acima de tudo. Descartou cardeais africanos por serem supostamente “conservadores” e esquivou-se de reconhecer o crescimento impressionante do catolicismo na África. Se fé fosse ideologia de partido, talvez Freis vingassem mais, mas na Casa de Deus, o que vale é o sopro do Espírito, não o ranço ideológico.
O maior pecado de Frei Beto não foi a opinião - é livre para tê-la - mas a pequenez de quem julga sem conhecer. Atravessou fronteiras de bom senso ao expor um viés esquerdista arcaico, desconectado dos ventos de mudança que sopram dentro e fora do Vaticano. Quando Leão XIV foi anunciado, euforia e aplausos se ergueram em Roma; aqui, restou o silêncio constrangedor de quem acreditava guiar a barca de Pedro a partir de Brasília.
Talvez seja a hora de Frei Beto praticar o que os religiosos chamam de “silêncio obsequioso” - aquele silêncio respeitoso, que se impõe por humildade e obediência, para não criar mais ruído onde deveria haver contemplação. Enquanto isso, o novo Papa Leão XIV parte para um pontificado que já começa desafiando as velhas certezas de quem ainda via a Igreja à moda antiga.
Se antes ele errou feio, agora resta apenas aprender com esse tropeço. Que o “frei” volte aos livros de história e descubra que, no conclave, ideologia não bate fé, e que a Igreja é palco de uma renovação que ultrapassa qualquer festa partidária.
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