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Agro AGRO

Consórcios ganham força no campo e Sicredi bate R$ 3,2 bilhões em negócios agrícolas

Com juros altos e incertezas no crédito rural, produtores apostam em alternativa para adquirir máquinas e imóveis

01/05/2025 às 10h25 Atualizada em 05/05/2025 às 10h56
Por: Wagner Albuquerque
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Foto: Reprodução
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O Sicredi comercializou R$ 3,2 bilhões em consórcios voltados ao setor agrícola entre abril de 2024 e o dia 29 do mesmo mês, registrando um crescimento de 29% em relação ao período anterior. O avanço foi anunciado por executivos da cooperativa financeira nesta quarta-feira (30), durante a Agrishow, em Ribeirão Preto (SP). Em meio a juros elevados nas linhas tradicionais de crédito rural, o Sicredi intensifica sua aposta nos consórcios como alternativa mais planejada para produtores que desejam adquirir máquinas, imóveis ou expandir suas atividades.

Segundo Rafaela Bonalume, analista de negócios da instituição, a alta das taxas de juros e o cenário político instável contribuem para o aumento da procura. “O consórcio permite uma programação financeira mais eficiente, ideal para quem não tem urgência imediata na aquisição”, destacou. A cooperativa oferece cotas que variam de R$ 10 mil a R$ 1,5 bilhão, atendendo produtores de diversos perfis e regiões. Durante os primeiros dias da feira, metade do valor disponível para consórcios já havia sido contratada — embora o Sicredi não tenha revelado o montante exato reservado para o evento.

Hoje, os consórcios agrícolas representam 27% da carteira da instituição nesse tipo de negócio, somando R$ 14 bilhões em 20 anos, de um total de R$ 52 bilhões. A analista ressalta que o ritmo das contratações se acelerou: “Antes, levava um ano para atingir R$ 1 bilhão em consórcios. Agora, conseguimos isso em apenas 20 dias.” Além de máquinas e imóveis, os consórcios também têm sido usados para ampliar áreas produtivas e renovar estruturas.

Mesmo com o crescimento dos consórcios, o crédito rural tradicional segue relevante para o Sicredi. De julho de 2023 a março de 2024, a cooperativa liberou R$ 43,3 bilhões em operações, com aumento de 11% em relação à safra anterior. Para o ciclo 2025/26, no entanto, a expectativa é de margens mais apertadas para os produtores, em razão do custo de capital mais alto. A instituição também aposta em outros instrumentos, como a Cédula de Produto Rural (CPR), e destaca o avanço nos seguros agrícolas, que cresceram 89% em áreas cobertas no primeiro trimestre. A carteira agro total já ultrapassa R$ 103 bilhões, com crescimento de 21% neste ano.

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