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Governo Lula fecha contrato de R$ 328 milhões com empresa investigada pela Polícia Federal

Apesar de centenas de opções no mercado, Ministério da Gestão firmou contrato milionário com empresa investigada por fraudes em licitações

28/04/2025 às 19h26
Por: Douglas Ferreira Fonte: Com informações Oeste
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Esther Dweck, do Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos - Foto: Reprodução
Esther Dweck, do Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos - Foto: Reprodução

Em meio à fartura de empresas especializadas na terceirização de mão de obra em Brasília, o Ministério da Gestão e Inovação (MGI) - chefiado pela ministra Esther Dweck - escolheu justamente uma que está na mira da Polícia Federal. A escolhida foi a Esplanada Serviços Terceirizados Ltda, contratada por nada menos que R$ 328 milhões, para fornecer mais de 1.200 funcionários a 12 ministérios.

O detalhe que chama atenção: a empresa é alvo de investigação na Operação Dissímulo, que apura fraudes em licitações e manipulação de concorrências públicas.

Como uma empresa investigada venceu?

A Esplanada foi alvo de mandados de busca e apreensão no dia 11 de fevereiro de 2025. Mesmo assim, dez dias depois (21 de fevereiro), o MGI aceitou a proposta da empresa, alegando que ela atendeu a todos os requisitos formais do edital.

O governo defende-se afirmando que, sem condenação judicial ou registro de inidoneidade no sistema oficial, não poderia desclassificar a empresa apenas por estar sob investigação. E mesmo após concorrentes questionarem a regularidade da participação da Esplanada, o ministério negou os recursos e validou o resultado.

Pior: além da Esplanada, a R7 Facilities, também investigada na mesma operação, foi habilitada.

O contrato

  • Valor: R$ 328 milhões

  • Duração inicial: 3 anos (podendo chegar a 10 anos com prorrogações)

  • Serviço: terceirização de portaria, recepção e apoio administrativo para 12 ministérios

  • Empregados contratados: 1.261 terceirizados

Havia alternativas?

Sim.
Brasília abriga centenas de empresas de terceirização, muitas delas sem qualquer pendência judicial ou investigação policial.
O pregão eletrônico, porém, privilegiou a proposta de menor preço — critério técnico que favoreceu a Esplanada, mesmo com todos os seus passivos judiciais em aberto.

Em outras palavras: havia opções melhores, mas o modelo de licitação não priorizou histórico ético, apenas o custo.

A defesa

O dono da Esplanada, André Luis Silva de Oliveira, negou qualquer irregularidade:

“Pode pegar meu celular, meus documentos. Não tenho conluio com ninguém”, afirmou.

Inicialmente, ele negou conhecer figuras citadas na investigação, mas depois ajustou sua versão.
O Ministério da Gestão insiste que todos os documentos apresentados foram "rigorosamente analisados".

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