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Agro ATAQUE FATAL

Tragédia no Pantanal: onça-pintada mata e devora caseiro em fazenda de MS; animal não voltará à natureza

Jorge Ávalos foi atacado enquanto coletava mel às margens do Rio Aquidauana; onça capturada será mantida em cativeiro após investigação apontar hábito perigoso de alimentação por humanos

25/04/2025 às 20h15
Por: Douglas Ferreira
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Corpo do homem morto e devorado pela onça pintada - Foto: Reprodução
Corpo do homem morto e devorado pela onça pintada - Foto: Reprodução

Um ataque raro, brutal e impactante marcou o início da semana no Mato Grosso do Sul. O caseiro Jorge Ávalos, de 60 anos, conhecido como “Jorginho”, foi morto e parcialmente devorado por uma onça-pintada enquanto trabalhava em uma fazenda localizada às margens do Rio Aquidauana, na região conhecida como Toro Morto. O caso chocou moradores da região e viralizou nas redes sociais com imagens do local do ataque e da caçada ao animal.

O ataque ocorreu na segunda-feira (21), quando Jorginho saiu para coletar mel. No dia seguinte, agentes da Polícia Militar Ambiental (PMA) localizaram o corpo após seguirem rastros de sangue e pegadas deixadas pelo felino. O cenário indicava que a vítima havia sido surpreendida, provavelmente de forma silenciosa e letal. A tragédia chamou a atenção de especialistas, do governo e da população em geral.

Jorge Ávalos, o Jorginho, foi a vítima da onça pintada - Foto: Reprodução

A dinâmica do ataque

Segundo a apuração da PMA, a vítima estava sozinha na mata e foi atacada de surpresa pela onça, que provavelmente o arrastou por alguns metros. O corpo apresentava mutilações compatíveis com predadores de grande porte. Não houve tempo de reação. O local do ataque fica em uma área de mata densa, próxima a cursos d’água - habitat típico da onça-pintada, a maior felina das Américas.

Captura e estado de saúde do animal

A onça responsável foi capturada dois dias depois, em uma operação que envolveu armadilhas fotográficas, monitoramento noturno e a atuação de um médico-veterinário especializado. O animal, um macho adulto com aproximadamente 94 kg, estava debilitado, apresentando sinais de desnutrição e possível estresse.

Após a captura, foi levado ao Centro de Reabilitação de Animais Silvestres (CRAS/IMASUL), onde está sob avaliação veterinária. Técnicos do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) confirmaram que a onça apresentava comportamento excessivamente habituado à presença humana - resultado, segundo eles, da prática ilegal e perigosa de “ceva” (alimentação artificial por moradores).

A prática da ceva é um hábito tanto comum quanto perigoso - Foto: Reprodução

O destino da onça

Em nota oficial divulgada nesta sexta-feira (25), o ICMBio informou que a onça não será devolvida à natureza. O animal será incorporado ao Programa de Manejo Populacional da Onça-Pintada, coordenado pelo próprio Instituto. Isso significa que a onça será transferida para uma instituição autorizada a manter fauna silvestre em cativeiro, onde poderá integrar ações de conservação ex situ (fora do ambiente natural), com fins educativos, reprodutivos ou científicos.

A decisão foi tomada com base em critérios de segurança e bem-estar animal. De acordo com o órgão, a reintegração de um animal que já demonstrou comportamento predatório contra humanos e alta habituação seria um risco, tanto para a população quanto para o próprio animal.

A onça-pintada que causou a morte de Jorginho foi capturada dois dias após o ataque fatal - Foto: Reprodução

Prática condenada

Vídeos circulando nas redes sociais mostram moradores alimentando onças na mesma região do ataque. Especialistas alertam que a “ceva” quebra a barreira de medo natural que os felinos têm dos seres humanos, gerando situações perigosas e imprevisíveis. Embora ataques de onça-pintada a pessoas sejam extremamente raros - o último caso fatal no Brasil havia ocorrido há quase 20 anos - o risco aumenta consideravelmente quando os animais passam a associar humanos a fontes de alimento.

Alerta às comunidades

O ICMBio aproveitou o episódio para divulgar recomendações importantes à população ribeirinha, ribeira e rural que vive em áreas de presença de grandes felinos:

  • Evitar caminhadas solitárias em áreas de mata.

  • Evitar transitar ao amanhecer e entardecer, quando as onças são mais ativas.

  • Não alimentar animais silvestres, principalmente predadores.

  • Manter contato visual em caso de encontro e não correr.

O caso de Jorginho é um alerta amargo sobre os riscos do desequilíbrio na relação entre humanos e natureza. A tragédia evidencia que mesmo em tempos de conservação, a imprudência pode desencadear episódios de violência que custam vidas - humanas e animais.

O futuro da onça, agora sob responsabilidade do ICMBio e da Secretaria de Meio Ambiente do Mato Grosso do Sul, será definido com base em critérios técnicos. O felino poderá integrar programas de reprodução ou educação ambiental, longe dos perigos que a convivência forçada com humanos pode causar - para ambos os lados.

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J.jorgeHá 1 ano Timon Vixe!! Até os Animais são severamente punidos mas o delinquentes e marginais mundo A fora recebem benefícios e a segunda chance?
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