
O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) enfrenta seu momento mais delicado desde o início do mandato. Pela primeira vez, a desaprovação de sua gestão (49%) ultrapassou a aprovação (47%), conforme pesquisa Genial/Quaest divulgada nesta segunda-feira (27). Essa inversão nos índices reflete um cenário de crescente insatisfação popular, impulsionado por erros estratégicos, alta nos preços e uma comunicação que ainda não encontrou seu rumo.
De acordo com o levantamento, realizado entre os dias 23 e 26 de janeiro com 4,5 mil eleitores, os números evidenciam quedas em todas as regiões do país, incluindo o reduto petista do Nordeste. No NE, a aprovação despencou de 67% para 59%, enquanto a desaprovação subiu de 32% para 37%. O Sul registrou o pior desempenho: 59% desaprovam o governo Lula III, contra apenas 39% que o aprovam.
Entre as causas para essa queda, destaca-se a polêmica envolvendo o Pix, que gerou uma onda de desinformação e prejudicou a imagem do governo. Apesar de a Receita Federal esclarecer que não há "imposto sobre o Pix", a confusão em torno da fiscalização de transações financeiras teve um impacto negativo na percepção pública, com 66% dos entrevistados afirmando que o governo “errou mais do que acertou” no episódio.
Outro ponto crítico é a economia. Para 83% dos brasileiros, os preços dos alimentos subiram no último mês, enquanto 65% relataram aumentos nas contas de água e luz. A percepção de melhora econômica também é baixa: apenas 25% acreditam que o país melhorou nos últimos 12 meses, contra 39% que afirmam que piorou.
A tentativa de melhorar a comunicação do governo, capitaneada pelo marqueteiro Sidônio Palmeira, apresentado como uma espécie de gênio do marketing político, ainda não surtiu efeito. O que deveria ser uma estratégia para unificar narrativas e reconquistar a confiança popular tem se mostrado insuficiente diante do desgaste acelerado. A ausência de respostas contundentes às críticas e a lentidão na articulação de soluções concretas agravam ainda mais o quadro de insatisfação. O governo tem promovido uma trapalhada atrás da outra.
Enquanto isso, recortes específicos da pesquisa revelam problemas adicionais: entre os jovens de 16 a 34 anos, a desaprovação chegou a 52%, refletindo o distanciamento de uma geração que já foi base de apoio ao presidente. Entre os evangélicos, a rejeição subiu para 58%, consolidando um segmento cada vez mais crítico à gestão petista.
O governo Lula enfrenta, assim, um duplo desafio: frear a perda de apoio enquanto lida com a pressão por respostas efetivas a problemas econômicos e sociais que afetam diretamente a população. A pergunta que paira é se o governo terá capacidade de virar o jogo antes que o desgaste se torne irreversível. Ou já é?
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