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Polícia A SERVIÇO DO CRIME

Ex-diretora com rápida ascensão e suspeitas de ligação a facção criminosa é presa acusada de facilitar fuga de 16 detentos

Ex-coordenador de segurança Wellington Oliveira Sousa também foi preso pelo mesmo crime. Ambos estavam foragidos

25/01/2025 às 07h53
Por: Douglas Ferreira
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Wellington e Joneuma presos por facilitar fuga de detentos na Bahia - Foto: Reprodução
Wellington e Joneuma presos por facilitar fuga de detentos na Bahia - Foto: Reprodução

A cumplicidade de agentes do Estado com facções criminosas abriu as portas do Complexo Penal de Eunápolis, no sul da Bahia, para a fuga de 16 detentos no dia 12 de dezembro. O escândalo levou à prisão da ex-diretora Joneuma Silva Neres, de 33 anos, e do ex-coordenador de segurança Wellington Oliveira Sousa. Ambos foram detidos nesta semana, semanas após serem afastados de seus cargos e se tornarem foragidos.

A ex-diretora, que ascendeu rapidamente no sistema penitenciário, teria ligação direta com uma facção criminosa atuante na região de Eunápolis, segundo investigações. Antes da sua exoneração oficial em janeiro de 2025, Joneuma já havia sido afastada após a fuga, que expôs um esquema de corrupção e favorecimento a criminosos. A policial penal foi promovida duas vezes em menos de um ano, sob alegações de “merecimento”, até assumir o cargo de diretora do presídio em março de 2024.

O ex-coordenador Wellington Sousa foi preso nesta sexta-feira (24), em Governador Mangabeira, na BR 101. Com ele, a polícia apreendeu um carro e um celular, reforçando as investigações sobre como o esquema funcionava. Sousa e Joneuma, agora presos, são acusados de facilitar a fuga dos 16 detentos e podem responder por corrupção passiva, organização criminosa e prevaricação.

Dos fugitivos, 15 continuam foragidos; apenas um foi localizado e morto em confronto com a polícia no início de janeiro. Para a Secretaria da Segurança Pública da Bahia (SSP/BA), o caso representa mais um sintoma da corrosiva relação entre facções criminosas e membros do sistema prisional, que fragiliza o combate ao crime organizado.

A prisão da ex-diretora ganhou novos contornos quando a defesa tentou alegar sua gravidez para obter liberdade. O pedido foi negado, e ela será transferida para o Conjunto Penal de Teixeira de Freitas, onde iniciou sua carreira.

Fragilidade sistêmica e cooptação
Esse episódio não é um caso isolado. Em um país onde as facções criminosas encontram aliados dentro do próprio sistema prisional, episódios de fuga em massa como o de Eunápolis se repetem com alarmante frequência. A fuga cinematográfica de dois detentos do presídio federal de Mossoró no Rio Grande do Norte, até hoje pouco esclarecido. A corrupção, agravada pela fragilidade estrutural e moral do sistema carcerário, permite que criminosos escapem impunes, perpetuando a violência nas ruas.

Resta saber: até onde vai a influência das facções dentro do aparato estatal? E quais os próximos passos para frear a cooptação de agentes públicos por organizações criminosas?

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