
O agronegócio brasileiro está atento às políticas do novo governo de Donald Trump nos Estados Unidos, especialmente no que diz respeito às exportações de café e carne bovina. O plano econômico de Trump prevê tarifas de até 20% para produtos de diversos países, o que gera incertezas sobre o futuro do comércio com um dos principais parceiros comerciais do Brasil. Em 2024, os EUA foram o segundo maior destino de produtos agropecuários brasileiros, somando US$ 12,09 bilhões, o equivalente a 7,4% das exportações do setor.
Café
Especialistas avaliam que itens alimentícios de primeira necessidade, como o café e a carne bovina, devem ser poupados de eventuais sobretaxas, devido ao impacto que isso teria sobre os preços ao consumidor americano. O Conselho de Exportadores de Café do Brasil (Cecafé) destaca que, em 2024, os Estados Unidos importaram 8,1 milhões de sacas de café brasileiro, representando 16,1% do total exportado pelo Brasil e um crescimento de 34% em relação ao ano anterior. Para o Cecafé, é improvável que o governo norte-americano comprometa o acesso de sua população a produtos essenciais.
Carne
O setor de carne bovina também registrou resultados expressivos em 2024, com exportações totais de 2,89 milhões de toneladas, um aumento de 26%. Os Estados Unidos foram o segundo maior destino, com 229 mil toneladas exportadas, gerando US$ 1,34 bilhão em receitas. A China liderou as compras, com 1,33 milhão de toneladas adquiridas, mas a importância do mercado americano é inegável. A Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec) está otimista sobre a manutenção e expansão desses mercados, apesar das incertezas globais.
A possível intensificação do protecionismo americano pode abrir novas oportunidades para o Brasil em outros mercados. Caso a China taxe produtos agrícolas americanos em retaliação às políticas de Trump, o Brasil poderia ampliar suas exportações de carne bovina e café para o gigante asiático. Ao mesmo tempo, mercados como Japão, Vietnã, Turquia e Coreia do Sul estão na mira da indústria brasileira de carne, com negociações em andamento para abertura comercial nesses países.
Representantes do setor agropecuário acreditam que o impacto das políticas americanas será limitado no curto prazo, mas reconhecem a necessidade de estratégias para diversificar mercados e reduzir a dependência dos EUA. “Com o apoio do governo brasileiro, vamos trabalhar para que 2025 seja o ano de expandir nossa presença em mercados estratégicos”, afirmou Roberto Perosa, presidente da Abiec.
Embora o plano econômico de Trump represente um desafio, o Brasil se posiciona como um fornecedor confiável e competitivo de produtos agropecuários. A expectativa é que o setor continue a contribuir significativamente para a balança comercial brasileira, mesmo em um cenário internacional mais protecionista.
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