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Agro EXPECTATIVAS

Trump volta à presidência e coloca Brasil entre a oportunidade e o abismo econômico

Agronegócio brasileiro pode lucrar com guerra comercial EUA-China, mas dólar forte e políticas protecionistas ameaçam inflação, juros e importações

21/01/2025 às 08h37 Atualizada em 21/01/2025 às 09h16
Por: Douglas Ferreira
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Guerra comercial entre EUA e China pode favorecer agro brasileiro - Foto: Reprdoução/Imagem produzida por IA
Guerra comercial entre EUA e China pode favorecer agro brasileiro - Foto: Reprdoução/Imagem produzida por IA

O retorno de Donald Trump à presidência dos Estados Unidos é visto com um misto de expectativa e apreensão no Brasil. Por um lado, o agronegócio brasileiro pode se beneficiar com o aprofundamento da rivalidade comercial entre EUA e China. Por outro, as políticas protecionistas de Trump, somadas à valorização do dólar, podem trazer impactos negativos para a economia brasileira, como inflação e alta nos juros.

Oportunidades para o agronegócio

Com a guerra comercial entre EUA e China se intensificando, o Brasil pode ganhar espaço como fornecedor de produtos agrícolas e commodities para o mercado norte-americano. A restrição de importações chinesas pelos EUA pode abrir novas oportunidades para exportações brasileiras, especialmente de soja, carne bovina e outros produtos do agro.

Flávio Roscoe, presidente da FIEMG, aponta que a situação cria uma brecha vantajosa: “Essa rivalidade entre os dois maiores exportadores do mundo nos dá espaço para ampliar nossas exportações tanto para os EUA quanto para a China.”

O custo da valorização do dólar

Por outro lado, a expectariva da política econômica de Trump, marcada por tarifas e estímulos fiscais, tem fortalecido o dólar globalmente, pressionando moedas de mercados emergentes como o real.

O dólar fechou a última segunda-feira (20) a R$ 6,04, refletindo a volatilidade do mercado cambial e as intervenções do Banco Central. Essa desvalorização do real, embora positiva para exportadores, encarece as importações e pode pressionar os preços internos para cima.

Segundo o economista José Alfaix, da Rio Bravo, “as políticas de Trump, como cortes de impostos e barreiras protecionistas, devem gerar pressões inflacionárias globais, levando a juros mais altos nos EUA e atraindo ainda mais investidores para ativos americanos”.

Riscos para a economia brasileira

O Brasil enfrenta um cenário delicado com a alta do dólar. Importações mais caras, aliadas à pressão inflacionária, podem forçar o Banco Central a aumentar a taxa Selic, dificultando a recuperação econômica.

Além disso, Trump já manifestou insatisfação com tarifas impostas pelo Brasil, ameaçando aplicar medidas retaliatórias. Esse tipo de postura pode complicar as relações comerciais e reduzir a competitividade de produtos brasileiros nos EUA.

A posição do governo brasileiro

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva tem mantido um tom diplomático, desde a vitória de Trump, enfatizando o desejo de ampliar parcerias comerciais, científicas e culturais com os EUA. Em sua mensagem de felicitação a Trump, Lula destacou a importância da relação bilateral para o comércio e a prosperidade das duas nações.

Entretanto, a ausência de Lula na posse de Trump, somada às críticas anteriores do republicano às políticas tarifárias brasileiras, sugere que as relações entre os dois governos podem enfrentar momentos de tensão. Apesar de Lula ter comparado o então candidato americano ao nazifascismo, acredita-se que a política econômica de Trump adotará uma postura pragmática.

O que esperar?

A gestão Trump representa uma faca de dois gumes para o Brasil: enquanto o agronegócio pode ganhar espaço no mercado norte-americano, a desvalorização do real e a pressão inflacionária podem comprometer o poder de compra e os investimentos internos.

Para aproveitar as oportunidades e mitigar os riscos, será essencial que o Brasil adote políticas cambiais e fiscais sólidas, além de negociar com habilidade para evitar retaliações comerciais.

Assim, o impacto de Trump na presidência dependerá não apenas das ações do governo norte-americano, mas também da capacidade brasileira de se adaptar e explorar as janelas de oportunidade no cenário global.

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