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Trump volta ao poder e o agronegócio brasileiro monitora impactos de possíveis mudanças comerciais

Agronegócio brasileiro monitora impactos de possíveis mudanças comerciais no segundo mandato de Trump

19/01/2025 às 16h10
Por: Wagner Albuquerque
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Imagem gereda por Inteligencia Artificial
Imagem gereda por Inteligencia Artificial

Quatro anos após o término de seu primeiro mandato, Donald Trump está de volta à presidência dos Estados Unidos. Desde a confirmação de sua vitória, em novembro, o agronegócio brasileiro acompanha com atenção os desdobramentos de uma possível nova guerra comercial entre Estados Unidos e China, cenário que pode impactar significativamente o setor.

Durante seu primeiro mandato, Trump impôs tarifas de 10% a 50% sobre centenas de produtos chineses, o que provocou retaliações de Pequim. O conflito beneficiou setores como o da soja brasileira, que ganhou espaço no mercado chinês devido às restrições ao grão americano. Agora, a preocupação gira em torno das 100 medidas prometidas por Trump para o início de seu segundo governo, cuja posse ocorre na segunda-feira (20). Segundo Marcello Brito, professor da Fundação Dom Cabral Agroambiental, ainda é cedo para medir o impacto dessas ações, pois é necessário avaliar quais delas serão efetivamente implementadas.

Apesar da incerteza, o comércio agrícola entre Brasil e Estados Unidos deve seguir estável no curto prazo. Em 2024, os EUA foram o segundo maior comprador de produtos agrícolas brasileiros, com importações de US$ 12,1 bilhões, um aumento de 23% em relação ao ano anterior. Produtos como o café verde, que teve crescimento de 67,6% nas vendas para o mercado americano, ilustram a importância desse fluxo comercial. “Os EUA não podem, da noite para o dia, taxar o café brasileiro sem um substituto imediato. Qualquer aumento de tarifas será cauteloso”, avalia Brito.

Por outro lado, uma nova guerra comercial entre EUA e China deve trazer efeitos mais limitados ao Brasil em comparação com 2018. Segundo Brito, a expansão do agronegócio brasileiro no mercado chinês, impulsionada pelo conflito anterior, já atingiu um limite. “Hoje não há mais o mesmo espaço para ampliar as exportações para a China. Além disso, o contexto global é diferente, com os mercados já ajustados a distúrbios geopolíticos anteriores”, explica.

No setor de grãos, o Brasil continua como principal fornecedor da China, que em 2023 importou 105 milhões de toneladas de soja, sendo 75% desse total originado do Brasil. Chris Trant, da consultoria Headpoint Global Markets, aponta que, embora as novas tarifas prometidas por Trump possam causar volatilidade, os agricultores americanos se tornaram menos dependentes do mercado chinês, enquanto a China reforçou sua parceria com o Brasil.

Outro ponto de atenção é o impacto sobre os biocombustíveis. Segundo Tiago Medeiros, diretor da Czarnikow no Brasil, Trump deve priorizar a autossuficiência energética dos EUA, com foco na ampliação da produção de petróleo e etanol, que utiliza milho como matéria-prima. “Essa política pode afetar o mercado de grãos, principalmente o milho, caso a demanda por biocombustíveis cresça significativamente”, analisa. Com isso, o agronegócio brasileiro segue atento às primeiras ações do governo Trump, que podem moldar os rumos do comércio global nos próximos anos.

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