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Polícia ERRO GROTESCO

TRAGÉDIA E ERRO: Caso de envenenamento no Piauí vira símbolo de injustiça

Laudo pericial desmente acusações e expõe falhas graves na investigação policial

13/01/2025 às 12h01 Atualizada em 13/01/2025 às 12h21
Por: Douglas Ferreira
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Lucélia Gonçalves amargou por cinco meses as agruras do cárcere por um erro grosseiro na investigação policial - Foto: Reprodução
Lucélia Gonçalves amargou por cinco meses as agruras do cárcere por um erro grosseiro na investigação policial - Foto: Reprodução

O caso que parecia solucionado com a prisão de Lucélia Maria Gonçalves agora expõe um erro investigativo que lança uma sombra sobre a Polícia Civil do Piauí. Após cinco meses de encarceramento, destruição da residência e um verdadeiro assassinato de sua reputação, a suspeita de envenenar dois irmãos em Parnaíba foi libertada nesta segunda-feira (13), graças a um laudo pericial que desmonta a tese da acusação.

Investigações rasas e pressão social

Lucélia Gonçalves foi presa em agosto de 2024 sob acusações de envenenar cajus que teriam causado a morte dos irmãos Ulisses Gabriel (8) e João Miguel (7). A comunidade, revoltada, incendiou casa dela, enquanto o delegado e as autoridades envolvidas ignoravam a ausência de provas concretas.

Somente cinco meses depois, o laudo pericial comprovou que os cajus entregues às crianças não estavam contaminados pelo veneno terbufós, como alegado. Até então, a polícia baseava-se em "provas subjetivas e circunstanciais", segundo o advogado Sammai Cavalcante, que sempre sustentou a inocência de Lucélia.

Novo alvo: o padrasto

A reviravolta veio com a prisão de Francisco de Assis da Costa, padrasto da mãe das crianças, por outro caso de envenenamento. Ele é acusado de adulterar o almoço da família no réveillon, matando quatro pessoas, incluindo a mãe das crianças envenenadas, outros dois filhos dela e um irmão.

Com isso, as investigações apontam para uma linha totalmente distinta. Francisco demonstrou comportamentos rancorosos e preconceituosos contra a enteada, o que reforça a possibilidade de seu envolvimento também nas mortes anteriores.

Francisco de Assis Pereira passa a ser investigado também sofre a morte dos irmãosenvenenados com cajus - Foto: Reprodução

Justiça tardia e cicatrizes irreparáveis

Lucélia foi libertada pela juíza Maria do Perpétuo Socorro Ivani Vasconcelos após o Ministério Público solicitar a revogação da prisão. Entretanto, os danos à sua vida são profundos: além de estar psicologicamente abalada, ela enfrentou a ira de uma comunidade que a julgou sem provas.

"Ela foi vítima de uma investigação superficial e da pressão social. Ninguém quis ouvir sua versão, e agora sua inocência é cristalina", afirmou o advogado.

Quem responde pelo erro?

A prisão de Lucélia foi o ápice de uma condução investigativa falha que, segundo especialistas, cedeu à pressão social e à ânsia por resultados rápidos. As críticas à polícia civil e ao delegado responsável não param de crescer.

Chico Lucas, secretário de Justiça do Estado, ainda não se pronunciou sobre o afastamento do delegado ou sobre possíveis investigações para apurar responsabilidades. A pergunta que paira sobre o caso é: quem pagará pelo sofrimento imposto a Lucélia?

O que esperar agora?

Além de sua liberdade, Lucélia espera que o Estado ofereça alguma reparação por tudo que sofreu. Entretanto, mais que compensações financeiras, o caso exige um debate profundo sobre a pressa em apontar culpados, os vícios das investigações e a atuação das forças de segurança em situações de grande repercussão.

Até porque se Francisco de Assis Pereira não tivesse cometido novos envenenamentos, Lucélia Gonçalves certamente continuaria presa e pagando por crime que jamais cometeu. 

Enquanto a polícia busca redirecionar as investigações para apurar a culpa de Francisco de Assis, a sociedade se pergunta: quem fará justiça para Lucélia e quem responderá pelo vergonhoso erro que manchou o sistema investigativo da Secretaria de Segurnça Pública do Piauí?

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