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Homens gays podem se tornar padres: Vaticano publica novas diretrizes

Bispos italianos destacam que orientação sexual será avaliada como parte da personalidade dos candidatos ao sacerdócio

12/01/2025 às 12h00 Atualizada em 12/01/2025 às 12h09
Por: Wagner Albuquerque
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Foto: Reprodução
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O Vaticano surpreendeu ao aprovar novas diretrizes que permitem a entrada de homens gays nos seminários, desde que se abstenham de relações sexuais. A medida, elaborada pela Conferência dos Bispos Italianos, marca uma mudança significativa na abordagem da Igreja Católica em relação aos futuros sacerdotes. O texto, divulgado discretamente no site da entidade, representa um avanço cauteloso, mas emblemático, no diálogo com a comunidade LGBTQ.

Até então, a orientação oficial da Igreja, baseada em um documento de 2016, desaconselhava a admissão de candidatos com “tendências homossexuais profundamente arraigadas”. A nova diretriz, no entanto, sugere que a orientação sexual seja apenas um aspecto a ser considerado no discernimento sobre a vocação sacerdotal, destacando a importância de avaliar a personalidade do candidato como um todo.

“O discernimento vocacional deve considerar as tendências homossexuais sem reduzir o candidato a essa característica específica”, orientam os bispos italianos. O texto propõe uma visão mais abrangente e menos excludente para o processo de formação, enfatizando a necessidade de compreender a sexualidade no contexto mais amplo da personalidade e espiritualidade do indivíduo.

O documento, aprovado em novembro e validado pelo Vaticano por um período experimental de três anos, reforça a postura de abertura atribuída ao Papa Francisco. Desde o início de seu pontificado, o papa tem demonstrado maior acolhimento em relação à comunidade LGBTQ, permitindo, por exemplo, bênçãos a casais do mesmo sexo em situações específicas. Contudo, ele também mantém uma posição firme quanto à conduta sexual no sacerdócio.

A Igreja Católica de Agnes, em Colônia, na Alemanha, em março, codizou com uma bandeira de orgulho para protestar contra um documento do Vaticano que proíbe bênçãos de relacionamentos entre pessoas do mesmo sexo - Foto: Klaus Nelissen

Apesar do avanço, o tema ainda é sensível dentro da Igreja. Muitos padres gays relatam medo de abordar abertamente sua sexualidade, o que reflete o tabu persistente. A recente aprovação contrasta com declarações anteriores de Francisco, que em 2022 utilizou uma expressão depreciativa sobre homossexualidade em seminários. O episódio levou o Vaticano a emitir um raro pedido de desculpas público.

A admissão de homens gays ao sacerdócio, embora permitida sob condições específicas, continua a ser alvo de debate. A nova diretriz italiana, com aval do Vaticano, pode abrir espaço para uma evolução mais ampla na forma como a Igreja lida com temas relacionados à sexualidade e à vocação.

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