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Agro ESQUEMA CRIMINOSO

Sementes do Crime: Esquema de falsificação ameaça agricultores no Maranhão

Polícia Civil apreende mais de 200 fardos de sementes falsas de milho híbrido em Caxias; prática gera prejuízos milionários e compromete colheitas no Nordeste

12/01/2025 às 09h26
Por: Douglas Ferreira Fonte: Com informações Noca
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O caminhão apreendido pela PC transportava 213 fardos de sementes falsificadas, cada um pesando 18 kg - Foto: Reprodução
O caminhão apreendido pela PC transportava 213 fardos de sementes falsificadas, cada um pesando 18 kg - Foto: Reprodução

Uma operação liderada pela Polícia Civil de Caxias, no Maranhão, desvendou um esquema criminoso que tem espalhado prejuízos devastadores entre agricultores nordestinos. Uma carga de sementes falsificadas de milho híbrido de alto rendimento foi apreendida, expondo um comércio ilegal que ilude produtores com produtos estéreis e sem potencial de germinação.

Como o esquema foi descoberto?

A investigação começou na última quinta-feira (9), com a apreensão de 35 fardos de sementes falsificadas em uma residência no bairro Pampulha, em Caxias. A operação se intensificou na sexta-feira (10), quando um caminhão transportando mais 178 fardos foi interceptado. A carga, oriunda de Graça Aranha (MA), tinha como destino agricultores locais.

No total, 213 fardos de sementes, cada um pesando 18 kg, foram confiscados. Essas sementes eram vendidas por valores entre R$ 500 e R$ 600, enquanto o produto original custa cerca de R$ 800 a R$ 900.

O que torna as sementes falsificadas tão prejudiciais?

De acordo com o delegado Jair Paiva, responsável pelo caso, os falsificadores utilizam milho destinado à ração animal, tingindo os grãos com uma substância avermelhada - que inclui até materiais como rejunte para pisos cerâmicos - e embalando o produto em pacotes falsificados com marcas de uma renomada empresa alemã do setor agroindustrial.

“O uso dessas sementes causa prejuízos imensos, pois elas não germinam. É uma prática que destrói não apenas as lavouras, mas também a confiança dos agricultores no mercado”, explicou Paiva.

Raízes do esquema e conexão nacional

O esquema não é novo. Ele foi identificado pela primeira vez em 2024, no Rio Grande do Sul, durante a Operação Piratas do Agro, que desarticulou redes de falsificação em Estados como São Paulo, Minas Gerais e Bahia. A ligação com o caso de Caxias aponta para uma ramificação desse crime, ampliando o desafio para as autoridades.

Quem está envolvido?

O motorista e o ajudante do caminhão apreendido foram conduzidos à Delegacia Regional para depoimentos. A polícia também busca identificar outros envolvidos na distribuição das sementes na região leste do Maranhão. Com o apoio de representantes da empresa alemã, que forneceu informações cruciais, a investigação avança para rastrear a origem da falsificação e possíveis cúmplices locais.

E os crimes?

Os suspeitos poderão responder por crimes como estelionato, falsificação de produtos industriais e associação criminosa. As penalidades podem ser ampliadas devido ao impacto econômico e social da prática, que ameaça a subsistência de agricultores e a segurança alimentar na região.

Próximos passos

A Polícia Civil de Caxias pretende colaborar com as autoridades do Rio Grande do Sul para aprofundar as investigações e desmantelar a rede por completo. Enquanto isso, os agricultores devem ficar atentos a preços suspeitos e buscar produtos apenas em fornecedores confiáveis.

Este caso expõe a fragilidade de um sistema que deveria proteger os trabalhadores do campo, mas que frequentemente é manipulado por criminosos sem escrúpulos, causando prejuízos irreparáveis para quem depende da terra para sobreviver.

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