
A cena parece saída de um roteiro de comédia pastelão, mas aconteceu na Câmara Municipal de São Paulo. Após perder a reeleição em 2024, a ex-vereadora Janaina Lima (PP) decidiu desmontar o próprio gabinete antes de entregá-lo ao sucessor. Entre os itens removidos estavam uma privada, duas pias e até um chuveiro, deixando o espaço literalmente “capado” para o próximo ocupante.
A retirada dos itens foi registrada em vídeo e exibida pela CNN, mostrando funcionários carregando as peças sanitárias para fora do gabinete. Diante das imagens inusitadas, surgem perguntas inevitáveis: Janaina comprou os objetos com recursos próprios ou públicos? E o mais intrigante - o que pretende fazer com uma privada usada?
Procurada pela imprensa, Janaina afirmou que os itens foram adquiridos com recursos próprios e, portanto, não fazem parte do patrimônio da Câmara Municipal. Segundo ela, outros investimentos pessoais, como divisórias de vidro, bancadas e luminárias, permaneceram no gabinete, compondo o que chamou de “modelo de coworking” implantado durante sua gestão.
A ex-parlamentar também destacou que o novo ocupante do espaço, o vereador Adrilles Jorge (União Brasil), teria elogiado o conceito arquitetônico do gabinete. “Fico feliz que ele pretende manter o projeto, que incentiva o espírito empreendedor dentro da Câmara. Estou à disposição para ajustar o que for necessário dentro das regras da Casa”, afirmou Janaina.
O novo inquilino do gabinete, Adrilles Jorge, reagiu com ironia ao encontrar o espaço sem os itens básicos de banheiro. “Minha equipe já pensa em comprar um penico para substituir a privada”, brincou. “O que alguém pretende fazer com uma privada usada? Vai reutilizar? Vai vender? Só posso rir dessa situação”, disparou o vereador.
A presidência da Câmara, por sua vez, prometeu apurar o ocorrido. O presidente Ricardo Teixeira (União) afirmou que medidas cabíveis serão tomadas, embora tenha reconhecido a inusitada natureza do episódio. “Nunca vi algo assim. Precisamos entender o que aconteceu e decidir as providências”, declarou.
O episódio reacendeu o debate sobre o uso de recursos públicos e a responsabilidade dos parlamentares em relação ao patrimônio que administram. Embora Janaina alegue ter bancado as melhorias com dinheiro próprio, a remoção dos itens levanta questionamentos sobre transparência e ética.
Enquanto a Câmara decide o que fazer, a cena bizarra da privada sendo carregada pelos corredores do legislativo paulistano já entrou para o anedotário político do Brasil. Mais do que uma questão patrimonial, o caso escancara o desgaste da imagem pública de figuras políticas em tempos de desconfiança generalizada.
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