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Nordeste O CÚMULO DO ABSURDO

Desabamento, mortes e absurdo: O Estado negligencia e cobra das vítimas os prejuízos de sua própria falha

Empresas são Notificadas pelo Ibama para remover veículos com produtos químicos após queda de ponte malconservada, mesmo já enfrentando mortes e perdas irreparáveis

28/12/2024 às 19h21 Atualizada em 28/12/2024 às 19h36
Por: Douglas Ferreira
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O cúmulo do absurdo: Ibama notifica empresas a retirarem destroços de veículos e tanques com produtos químicos do fundo do Rio Tocantins - Foto: Reprodução
O cúmulo do absurdo: Ibama notifica empresas a retirarem destroços de veículos e tanques com produtos químicos do fundo do Rio Tocantins - Foto: Reprodução

No ápice do absurdo burocrático, o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) notificou as empresas donas dos caminhões que caíram no Rio Tocantins após o colapso da ponte Juscelino Kubitschek de Oliveira. Elas foram intimadas a retirar as carretas e as cargas químicas do fundo do rio, mesmo sendo vítimas diretas da negligência estatal.

O desabamento da ponte na BR 226, entre Aguiarnópolis (TO) e Estreito (MA), no domingo (22), já é considerado um dos maiores desastres rodoviários do país, resultando em pelo menos 11 mortos e sete desaparecidos. No entanto, o que deveria ser tratado como uma responsabilidade direta do governo se transformou em mais uma penalização para as empresas transportadoras, que já sofrem com a perda de vidas humanas e os danos materiais.

O paradoxo da responsabilidade

Enquanto os destroços da ponte jazem no fundo do rio, junto com carretas carregadas de ácido sulfúrico e defensivos agrícolas, o Ibama exige que as empresas apresentem planos para a remoção do material. Ora, seria lógico que o próprio Estado, responsável pelo colapso, arcasse com os custos e a logística da retirada, não as empresas já devastadas pela tragédia.

Segundo Marcelo Neiva de Amorim, representante do Ibama, as empresas precisarão contratar serviços especializados para remover os veículos e as cargas perigosas, com previsão de início após a localização de todas as vítimas. Enquanto isso, o impacto ambiental potencial permanece sem solução efetiva.

O silêncio do governo e a inversão de prioridades

É estarrecedor que, mesmo diante de um desastre provocado pela falta de manutenção estrutural, o Estado faça vista grossa para a própria responsabilidade. A ponte, inaugurada em 1960 e reformada pela última vez nos anos 1990, estava em condições precárias. O Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT) admitiu que o contrato de manutenção atual, orçado em R$ 3,5 milhões, previa apenas serviços paliativos, deixando à deriva um eixo rodoviário vital.

Agora, com a promessa do Ministro dos Transportes, Renan Filho, de reconstruir a ponte em um ano, a pergunta que paira é: e as vidas perdidas? E o prejuízo imensurável para as empresas e para o meio ambiente? As famílias serão idenizadas?

Empresas sob ameaça de sanções

Se as empresas não cumprirem a determinação do Ibama, podem ser penalizadas, agravando ainda mais o quadro de prejuízos financeiros e reputacionais. Esse paradoxo revela uma inversão de prioridades e uma tentativa de transferir responsabilidades que deveriam ser assumidas pelo Estado.

Impacto ambiental em suspense

Enquanto isso, a qualidade da água do Rio Tocantins segue sob monitoramento. Testes preliminares indicam que os vazamentos, até o momento, não comprometeram os parâmetros básicos de segurança. No entanto, amostras mais detalhadas estão sendo analisadas e os resultados só serão divulgados em alguns dias, mantendo em suspense o risco de contaminação.

Mergulhadores registraram imagens dos destroços submersos, revelando carcaças de veículos e recipientes de produtos tóxicos espalhados pelo fundo do rio. Esse cenário agrava a urgência de soluções, mas, em vez de liderar a resposta, o governo transfere a responsabilidade para as vítimas.

Um precedente perigoso

Esse caso não é apenas mais uma tragédia rodoviária; é um alerta para os limites do descaso estatal e a precarização da infraestrutura pública no Brasil. Quando um desastre como esse ocorre, espera-se que o poder público assuma o comando e implemente soluções imediatas. Em vez disso, temos um jogo de empurra-empurra que só agrava a dor e a indignação.

Se essa lógica prevalecer, qual será o próximo passo? Pedir para as famílias das vítimas financiarem os resgates? Cobrar das transportadoras os custos da reconstrução da ponte? No Brasil, o absurdo parece não ter limites.

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A NOTÍCIA E O FATO
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Sobre Douglas Ferreira é multimídia. Além de jornalista, é bacharel em Direito. Foi repórter da TV Clube, afiliada da Rede Globo, por 10 anos e, em Caxias, no Maranhão, apresentou o programa “Fala Caxias”. Fundou e dirigiu por seis anos a Folha do Cocais. Foi secretário de Comunicação da Prefeitura de Caxias e retornou a Teresina como âncora da TV Meio Norte. Por 20 anos, reportou e apresentou na TV Antena 10, afiliada da Record. Também foi assessor de imprensa do Tribunal de Justiça do Piauí e passou por rádios e pelos maiores portais do Estado. Sua vida é o jornalismo. No Sistema Move de Comunicação, foi editor do Portal Move Notícias e apresentador do Business Cast, do canal movetvweb no YouTube. Agora, está à frente do Gazeta Hora1.
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