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Contrabando de cálculos biliares bovinos movimenta milhões em esquema internacional

Esquema milionário de contrabando expõe a crescente demanda por cálculos biliares bovinos, usados na medicina tradicional chinesa, e levanta alerta sobre mercado ilegal e roubos no Brasil e América do Sul

28/12/2024 às 10h01
Por: Wagner Albuquerque
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Foto: Reprodução
Foto: Reprodução

Entre 2020 e 2023, transferências de centenas de milhares de dólares partiram de empresas em Hong Kong para contas bancárias no Uruguai, chamando a atenção da promotoria contra lavagem de dinheiro. As investigações revelaram que as transações estavam ligadas ao contrabando de cálculos biliares bovinos, pedras raras formadas na vesícula de vacas e altamente valorizadas na medicina tradicional chinesa. Estima-se que o preço dessas pedras chegue a até US$ 200 por grama, superando o valor do ouro.

Essas pedras, usadas há mais de dois mil anos na medicina chinesa, têm aplicação no tratamento de transtornos neurológicos, como acidentes vasculares cerebrais e convulsões. Contudo, a escassez é um desafio, já que apenas cerca de 2% do gado produzem cálculos biliares naturalmente, e eles só podem ser extraídos após o abate. O mercado global não atende à demanda chinesa de cinco toneladas anuais, agravada pelo aumento de preços durante a pandemia de COVID-19.

Países como Brasil, Argentina e Uruguai lideram as exportações para Hong Kong, mas nem todos operam dentro da legalidade. No Uruguai, quatro pessoas foram condenadas por contrabando e lavagem de dinheiro em um esquema que movimentou US$ 786 mil. As autoridades investigam a origem dos cálculos, incluindo frigoríficos envolvidos na coleta e exportação clandestina.

O valor crescente dos cálculos biliares também os tornou alvo de roubos. No interior de São Paulo, assaltantes invadiram residências e interceptaram veículos transportando as pedras. Em Brasília, a polícia encontrou lotes falsificados com alto teor de ferro. Na Argentina, denúncias de furtos aumentaram, motivando o país a firmar um protocolo com a China para regulamentar as exportações.

Com o interesse crescente do mercado asiático, países sul-americanos tentam aproveitar a oportunidade, mas enfrentam desafios de regulamentação e segurança. Para o Uruguai, que ainda negocia seu protocolo, a formalização pode trazer estabilidade ao comércio, enquanto investigações buscam desarticular redes ilegais que lucram com esse mercado milionário.

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